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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

A dificuldade para se falar de Habermas no Brasil.

Minha tese de doutorado se intitula "Análisis del funcionalismo y del garantismo en la protección de los derechos fundamentales en el proceso criminal". Falar de funcionalismo sem citar Habermas seria uma loucura. Porém, no Brasil, ele tem ardorosos defensores e até neófitos em Direito se dizem profundos conhecedores da sua filososofia sistêmica, a qual, acredito, ser desconhecida (inacabada) para ele mesmo.

Estou procurando entender a Filosofia habermasiana há anos e estou começando a me ver de forma estranha (ou sou burro ou ele falseia em muitos pontos). Prefiro acreditar que falta alguma leitura complementar, razão de continuar investigando.

Não sou cristão e vejo Habermas como um cristão enrustido. Sua filosofia, na maior parte dos momentos, embora buscando subsídios em Freud, é essencialmente cristã.

Não posso concordar com a idéia de um consenso pressuposto calcado no sacro (sagrado) e, por mais que Habermas procure fugir disso, suas citações e conclusões tem forte aporte no sacro. Isso complica em um país (Brasil) em que a campanha política presidencial deve passar, antes de tudo, pelo discurso da aceitabilidade religiosa.

2 comentários:

Yuri Fernandes disse...

Você deveria ler um autor chamado "Dooyweerd". Ele prova que todo pensamento racional é fundado em um motivo-base religioso, que guia uma cosmovisão... Bem, levando isso em consideração, não vejo problema algum do pensamento de Habermas estar envolvido com o cristianismo...

Sidio Júnior disse...

Provar ideologicamente, com discursos variados, muitos podem provar a mesma coisa. O que me preocupa o discurso praticado enquanto discurso. Teses abertas como a de Habermas e da Bíblia me levam à Grécia antiga. Prefiro evoluir e sair de tal ponto. Ele foi o de partida, mas não pode ser o de chegada, senão nossa história será apenas um círculo.

Herman Dooyeweerd (1894-1977) não é meu objeto de estudos para a pesquisa do momento.

Interessa-me a história da religião e, portanto, o calvininismo e o neocalvinismo, mas como instrumentos de dominação. Uma mudança de perspectiva sobre o que outrora existia, mas sempre com regresso a Dioniso (de onde veio Cristo sagrado).