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sexta-feira, 14 de abril de 2017

Desejo a todos, sem simbolismos religiosos, que a páscoa represente felicidade!

Nesse momento em que muitos ocidentais comemoram a páscoa, gostaria de relembrar que a sua origem está dentre os judeus da antiguidade, muito antes da existência do Jesus Cristo histórico que se pretende defender.
Primeiramente devemos observar que o ano judaico se iniciava em março, e o último mês fevereiro, menor e variável para não criar problemas. Daí em nosso idioma ficar esquisito termos os meses de setembro, outubro, novembro e dezembro, respectivamente como, os meses nove, dez, onze e doze. Ora, como [sete]mbro é nove e... [dez]embro é doze?
Entre os judeus, a páscoa, remonta a saída do Egito. Não digo que seria propriamente uma fuga porque Yafe teria enviado 10 pragas, dentre elas, teria matado todos os primogênitos daqueles que não tivessem fé e não tivessem tingido os umbrais das suas portas com sangue de cordeiro (Êxodo, Caps. 6-12.).
A tese de Joseph Atwill, no sentido de que a figura Jesus Cristo é uma farsa criada pela aristocracia romana para controlar as massas e, ao longo da história, só tem causado danos à humanidade, é notória. De qualquer modo, a única referência ao tal Jesus histórico seria de Flavo Josefo, que teria escrito:
772. Nesse mesmo tempo, apareceu JESUS, que era um homem sábio, se é que podemos considerá-lo simplesmente um homem, tão admiráveis eram as suas obras. Ele ensinava os que tinham prazer em ser instruídos na verdade e foi seguido não somente por muito judeus, mas também por muitos gentios. Ele era o CRISTO. Os mais ilustres dentre os de nossa nação acusaram-no perante Pilatos, e este ordenou que o crucificassem. Os que o haviam amado durante a sua vida não o abandonaram depois da morte. Ele lhes apareceu ressuscitado e vivo no terceiro dia, como os santos profetas haviam predito, dizendo também que ele faria muitos outros milagres. É dele que os cristãos, os quais vemos ainda hoje, tiraram o seu nome.[1]
Muitos acreditam que essa referência foi enxertada durante a idade média, considerando oportuno o que escrevi alhures:
Cristo nasceu entre os anos 7 e 4 a.C., mas muitos negam a sua existência histórica, até porque Flávio Josefo, o único historiador antigo que teria se referido a ele, nasceu aproximadamente 5 anos após a sua morte e os escritos do Novo Testamento, na maioria, não decorrem de discípulos, mas de apóstolos. Ademais, as poucas linhas do livro de Flávio Josefo (Guerras Judaicas) que se referem a Cristo foram, comprovadamente, alteradas/enxertadas por líderes religiosos da Idade Média.[2]
Hoje, não paira dúvida de que os evangelhos são posteriores às cartas e que, possivelmente, possam ter enxertado, durante a Idade Média, algumas falsas perspectivas dos criadores do cristianismo naquilo que conhecemos como Novo Testamento. Afirmo que o cristianismo era para ser incompatível com o judaísmo, mas Paulo, com a sua genialidade, acabou compatibilizando o que seria impossível de se ajustar para a coexistência. De todo modo, Erasmo de Rotterdã já havia criticado a conjugação de judaismo e cristianismo, vendo inconsistências nela. Também, criticou práticas cristãs e de seus sacerdotes.[3]
Sem pretender me valer aqui de qualquer estratagema preconizado por Schopenhauer para vencer um debate sem precisar ter razão, especialmente do último, dos desesperados,[4] que é atacar o opositor, devo alertar para o fato de que crer em Flavo Josefo é complicado, eis que ele foi preso com toda a tropa que comandava e foi o único que não foi executado.
De toda forma, com André Comte-Sponville afirmo que se a páscoa lhe trouxer felicidade, um momento de felicidade atual, não para a vida seguinte, deve ser vivida intensamente,[5] eis que devemos buscar a nossa felicidade para hoje, não para o amanhã. Assim, mesmo não crendo no simbolismo da ressurreição, espero que todas as páscoas sejam de felicidade!




[1] JOSEFO, Flavo. História dos hebreus. www.ebooksgospel.com.br. Disponbível em: <https://docs.google.com/file/d/0Bzh9viT4NH21YmtGRndfZ1h3eTg/edit>. Acesso em: 14.4.2017, às 8h40.
[2] MESQUITA JÚNIOR, Sidio Rosa de. Principais paradigmas do pensamento jurídico. Teresina: Revista Jus Navigandi, ano 20, n. 4241, 10.2.2015. Disponível em: <https://jus.com.br/artigos/36218>. Acesso em: 31.1.2017, às 23h25.
[3] ROTTERDAM, Erasmo. ROTTERDAM, Erasmo. Elogio da loucura. São Paulo: Martin Claret, 2000. p. 81-83.
[4] SCHOPENHAUER, Arthur. Como vencer um debate sem precisar ter razão: em 38 estratagemas. Rio de Janeiro: Topbooks, 1.987. passim.
[5] CONTE-SPONVILLE, André. A felicidade desesperadamente. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

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