sexta-feira, 11 de setembro de 2026

O que dizer dos Médicos quando se está doente?

 

Resolvi escrever este texto porque estou bem melhor do que ontem, visto que encontrei um Médico que não cobrou “por fora” para fazer uma cirurgia. Depois que fiz colonoscopia tive certeza, não absoluta, de que estava com câncer. Daí, fiz ressonância magnética e a verossimilhança do câncer aumentou. Depois, fiz biópsia (procedimento cirúrgico) e a certeza ganhou o seu lugar. A seguir fiz prostatectomia radical robótica, a qual, dentre outras causas (idade, bucho flácido etc.), gerou hérnia inguinal bilateral. Tentei tratamento, mas os médicos que “aceitam o plano” COBRAM POR FORA.

Fiquei triste em ver o domínio do capitalismo incontrolável. No entanto, boas pessoas devem ser mencionadas, razão de mencionar algumas por – eu mesmo – as considerar boas. Outras não terão seus nomes mencionados porque o interesse econômico gera dúvidas sobre eventual bondade.

Feita a presente introdução factual, darei forma ao meu inconformismo, deixando claro que não quero prejudicar nenhum profissional. Porém, a economia não pode ser reitora da nossa vontade.

1. Um Plano de saúde digno

Nenhum plano de saúde digno de respeito precisa se humilhar a uma classe. Os preços devem ser dignos. Porém, nenhum plano de seguro de saúde pode se sujeitar à vontade de uma categoria que apenas quer se dar bem.

O Médico atende ao plano de saúde para eventual cirurgia e cobra valores por fora. Por que está no plano de Saúde?

A resposta plausível é a de que o profissional quer apenas captar potencial clientela, até porque quem paga um seguro de saúde particular caríssimo é potencialmente uma pessoa que pode arcar com os custos da cirurgia.

Pago, mais de R$ 8.500,00 (eu, mulher e filho) mensais para ter que “pagar por fora”?

O plano de saúde não é indigno. Indigno é o Médico por captar cliente criticando o plano de saúde ao qual aderiu.

2. Estar doente

A doença pode ser física ou mental. A mental, no meu caso, é de nascença, visto que sempre quis ser GRANDE, acho que me curei porque o que desejo é ser IMPORTANTE para um círculo pequeno de pessoas (família e amigos – é meio redundante porque na família tenho os maiores amigos). Mas, o câncer nos muda, sem muita importância para a história do mundo, apenas para a individual.

Expus no início ter uma doença. Desejo muito ser feliz. Na medida do possível, o sou. Mas, com Yuval Noah Harari, em Homo Deus, digo ser impossível a felicidade plena por todo o tempo de nossa vida, até porque só podemos ter parâmetros para a felicidade a partir do seu oposto, a tristeza.

O doente deseja cura. No Brasil, sou um felizardo, posso realizar cirurgias eletivas em curto prazo, o que me entristece é ver pessoas precisando de cirurgias urgentes e de emergência sendo negligenciadas.

No meu caso, a minha Cardiologista, Paula Fernanda Freitas Lima, com propriedade, meio em tom de bronca, disse:

– Não pague “por fora, você já paga muito para o plano de saúde!”.

A advertência foi importante. Procurei o meu Oncologista, Anderson Arantes Silvestrini, pessoa que já cuidou da minha mulher e outras pessoas da família, o qual me recomendou Sérgio Tamura, esse não cobra por fora. Então, rapidamente, iniciei o procedimento para a nova cirurgia.

3. Para não concluir

Não estou concluindo porque estou doente. Não fiz a cirurgia da hérnia e devo fazer uma de catarata senão ficarei cego. Pior, a “idosidade” (completei 60 anos em 14.8.2026) chegou com força: câncer de próstata antecipado, hérnia inguinal bilateral e catarata.

Sou doutor em Direito e não gosto de assim ser denominado nas relações cotidianas porque é um título acadêmico, reservado à academia. Médicos em regra, não são doutores, insistindo em assim serem chamados. Na prática, “doutor” é o barbeiro-cirurgião, aquele que efetivamente desenvolveu as cirurgias, ao exemplo de Ambroise Paré (1510-1590)

Tinha que mencionar o problema porque tenho um forte conflito com a ideia política do momento que é bipolar (esquerda-direita), sem ninguém se preocupar com o que efetivamente afeta o indivíduo, o centro de quaisquer núcleos sociais.

3 comentários:

Ju Vieira disse...

Querido Sidio, de tudo isso, preciso que saiba que você é GRANDE, IMPORTANTE e um ser humano INCRÍVEL que marcou de maneira muito feliz muitas vidas com a minha! A cura é logo ali! Esse percalço vai passar e será mais uma história que contará de vitória e superação. No caminho tenho certeza que encontrará pessoas/profissionais tão maravilhosas como você!

Sobre a hérnia, se te serve uma indicação de um médico fora de série em todos os aspectos (e que não cobra por fora): Dr. Hiroji Okano.

Sidio Rosa de Mesquita Júnior disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Sidio Rosa de Mesquita Júnior disse...

Muito obrigado amiga Ju Vieira. Já encontrei o Sérgio Tamura, uma das pessoas boas mencionadas no texto. Valeu.