segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O que se pode dizer sobre o 11º Big Brother Brasil (BBB 11)

Recebi uma mensagem eletrônica que me fez refletir. Reproduzirei sua integra a seguir, mas tenho críticas ao texto que atribuido a Luís Fernando Veríssimo, sendo que procurarei estabelecer uma linguagem adequada ao meio acadêmico:


"BIG BROTHER BRASIL
(Luiz Fernando Veríssimo)
Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço...A  décima primeira (está indo longe!) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil,... encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.
Dizem que em Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir, ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... todos, na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterossexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE...
Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB. Ele prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.
Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que  recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo.
Eu gostaria de perguntar, se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.
Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis?
São esses nossos exemplos de heróis?
Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros: profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor, quase sempre mal remunerados..
Heróis, são milhares de brasileiros que sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir e conseguem sobreviver a isso, todo santo dia.
Heróis, são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.
Heróis, são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada, meses atrás pela própria Rede Globo.
O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral.
E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!
Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social: moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?
(Poderiam ser feitas mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores!)
Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.
Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema..., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir.
Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade."

Não poderia refutar a idéia de alguma pessoa ler o presente texto no exterior e não entender o que será exposto por não conhecer o tal programa "Big Brother Brasil", exibido pela Rede Globo de Televisão, uma grande emissora de televisão, em franco declínio no Brasil.

O "Big Brother Brasil" foi importado da Inglaterra, sendo que houve um litígio entre o Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), do empresário Sílvio Santos, e a Rede Globo porque esta estaria violando direitos daquele que teria ingressado com o programa no Brasil sob a denominação de "Casa dos Artistas".

No SBT, artistas (atores, músicos etc.) seriam confinados em uma casa, sem qualquer privacidade, expostos à curiosidade popular. A Rede Globo optou por pessoas do povo, escolhendo jovens de diferentes níveis sociais, com preferência por aqueles que expressam os sonhadores que pouco se prepararam para um sucesso acadêmico ou profissional que exige certo nível de intelectualidade.

Já se viu de tudo no programa: sexo ao vivo, declarações de dependência química, traições, triângulos amorosos e muito pouco (ou nada) de aproveitável. Na 11ª edição do programa, houve uma preferência por incluir homossexuais (masculinos e femininos).

A primeira perspectiva que se deve ter é que o programa cativa, acirra a curiosidade, o que se pode constatar pelo fato da Rede Record ter incluindo a sua versão do "Big Brother", isso por meio do programa denominado "A Fazenda".

"A fazenda" é um programa que não tem recebido tantas críticas quanto o "big brother", talvez porque seus participantes tenham melhor nível. O programa da Rede Globo demonstra o péssimo nível médio da intelectualidade brasileira, visto que até o programa está em língua estrangeira.

Habermas informa que a identidade de um povo se dá pela língua, sendo que a Rede Globo procura minar e destruir o pouco que resta dessa identificação nacional por meio do fomento à utilização de palavras e expressões estrangeiras. Isso repercurte em nossa moralidade, já desgastada.

A construção valorativa do homem já trouxe grandes embates filosóficos, mas é inegável que Nietzsche tinha razão ao dizer que o valor é algo "Humano demasiado humano". Nesta construção de valores, a inclusão no BBB 11 de uma categoria humana pouco preocupada com a intelectualidade, com o trabalho etc. gera, sem dúvida, um efeito negativo sobre o público telespectador.

O programa não estaria no ar por tantos anos se não fosse economicamente rentável. A curiosidade e o envolvimento passional que se verifica nas camadas sociais menos cultas faz com que o programa se mantenha viável para a Rede Globo, mas não precisa ser tão apelativo.

Pedro Bial parece pretender forçar intrigas e paixões entre os concorrentes, a fim de envolver os telespectadores com as vontades decorrentes das sexualidades homossexuais e heterossexuais dos confinados. Ao final, discursos vazios que pouco podem acrescer aos telespectadores fazem a tônica do programa, o qual, sinceramente, não é digno de uma assistência atenta e demorada.

O Dicionário Aurélio apresenta como significado da palavra herói, a "pessoa que, por qualquer motivo, é o centro das atenções". Nesse sentido, os integrantes da casa do "big brother" podem ser considerados heróis, mas não como pessoas extraordinárias, visto que a própria escolha tende a encontrar a indentificação com o geral, ou seja, com a mediocridade, com o fato de ser comum (vulgar).


quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Winston Leonard Spencer Churchill, um exemplo de que não devemos descrer dos nossos filhos.

A los veinte años, el joven Winston Churchill todavía era un fracasado escolar sin remedio que ni siquiera había conseguido aprobar el bachillerato; un cadete superfluo, un motivo de embarazo para toda la família, um "inútil" a los ojos de su padre moribundo. (HAFFNER, Sebastian. Winston Churchill: una biografia. Buenos Aries: Folio, 2003. p. 27).

Tenho uma filha de 19 anos, um filho de 16 anos e mais dois menores. Porém, posso afirmar que o exemplo de Churchill permite dizer que até aparentes filhos inúteis podem crescer e, como ele, se transformarem grandes pessoas.

Não quero depositar esperanças demasiadas nos meus filhos, mas espero traduzir a todos a ideia de que não se pode exigir demais de filhos em tenra idade. A maturidade terá tempo diversificado para cada um e, eventual adolescente aparentemente inútil, pode se transformar em grande exemplo para a humanidade.

A dificuldade para se falar de Habermas no Brasil.

Minha tese de doutorado se intitula "Análisis del funcionalismo y del garantismo en la protección de los derechos fundamentales en el proceso criminal". Falar de funcionalismo sem citar Habermas seria uma loucura. Porém, no Brasil, ele tem ardorosos defensores e até neófitos em Direito se dizem profundos conhecedores da sua filososofia sistêmica, a qual, acredito, ser desconhecida (inacabada) para ele mesmo.

Estou procurando entender a Filosofia habermasiana há anos e estou começando a me ver de forma estranha (ou sou burro ou ele falseia em muitos pontos). Prefiro acreditar que falta alguma leitura complementar, razão de continuar investigando.

Não sou cristão e vejo Habermas como um cristão enrustido. Sua filosofia, na maior parte dos momentos, embora buscando subsídios em Freud, é essencialmente cristã.

Não posso concordar com a idéia de um consenso pressuposto calcado no sacro (sagrado) e, por mais que Habermas procure fugir disso, suas citações e conclusões tem forte aporte no sacro. Isso complica em um país (Brasil) em que a campanha política presidencial deve passar, antes de tudo, pelo discurso da aceitabilidade religiosa.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Explicando um pouco a Argentina

A Argentina é um país que tem uma parte que se assemelha com o Uruguai e com o Rio Grande do Sul, em relação aos hábitos e a língua. O espanhol tem palavras comuns ao português regional do sul, divergindo da pronunciação espanhola. Porém, tome cuidado com os "falsos amigos", expressão que nos leva à situação do "falso cognato".

O portenho "silva" (assobia) um "x", curiosamente, assemelhando-se ao nosso nortista de Manaus. A "ella" (ll) é uma letra que tem o som de uma mistura forçada de "d" e "j". Assim, "castellano" não será pronunciado como "castelhano", mas como "castedjano" e "amarillo" como "amaridjo". Porém, eles entenderão se falar, respectivamente, "castejano" e "amarijo".

Na Argentina, não se come feijão, cujo nome é "frijol". Porém, as poucas pessoas que o conhecem o chamam de "poroto". Come-se batata, denominada "papas", e carne. Arroz é "arroz" mesmo e pode ser encontrado com certa facilidade.

A parrilhada (churrasco com carnes variadas) é ruim porque reune linguiça de sangue, rins, tripas e outras "cositas" que não são da apetência dos brasileiros em geral. Porém, se come bem quando se pede "lomo" (filé) ou "pescados" (peixes).

É um país quebrado, com uma frota de veículos muito velha, mas de um povo com uma média educacional acima da brasileira. Outrossim, o idioma espanhol é mais pobre (tem menos palavras que o português). Talvez por isso, eles tenham muitas dificuldades para entender os brasileiros. Pedindo para eles falarem "despacio" (devagar), mesmo sem saber espanhol, entender-se-á tudo, mas o mesmo não ocorre. Muitas vezes se falará devagar em português e eles não entenderão nada.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A minha relação com a Argentina está esfriando por culpa do seu povo.

Escrevo de Buenos Aires e trato de um dos meus poucos amigos, um grande amigo que desistiu de vir a Buenos Aires porque, segundo me disse, fizeram-lhe muitos pedidos de propina na estrada. Achei estranho. O convidei anteriormente para vir e aceitei pacificamente sua ida para Florianópolis, onde sei que encontrou apenas argentinos. Deve ter ficado irritado com a supervalorização dos argentinos na nossa terra, mormente sabendo da desgraça econômica geral que grassa por aqui.

Convidei também o meu irmão e ele veio. Passei informações erradas sobre os valores dos combustíveis (esqueci que o diesel não é subsidiado por aqui), mas isso não foi o pior. A perseguição da polícia argentina aos brasileiros é evidente. Ele foi multado, aparentemente assediado para propinas (o levaram para conversas particulares para negociar descontos), várias vezes e, quando chegou à Capital Federal, pensei que haveria um basta. Ledo engano...

Eu, pessoa que sempre defendeu os argentinos e a Argentina, confirmo a minha tese de que a última impressão é a que fica. Ela é: "los hermanos" não tem grande simpatia pelos brasileiros.

Ontem removeram o veiculo do meu irmão para um depósito público por estacionamento irregular, isso quando muitos carros do povo argentino, em situação pior, não foram molestados.

Alimentamos sua economia. Grande parte da arrecadação da Argentina decorre do turismo brasileiro e não nos valorizam (o garçom do Oye Chico me ironizava). Por isso, estou aqui a desabafar sentimentalmente porque tenho família e no Brasil temos valores mínimos. A moral brasileira é a de tratar bem as pessoas que estão nos ajudando, mas aqui as coisas parecem ser um pouco diferente.

Voltarei a viajar para o NE brasileiro!!!!!!!!!!!!!!!!!

Terminarei o curso que realizo aqui, mas sem a intenção de voltar. Voltarei apenas o tempo minimo necessário para qualquer outra atividade essencial, mas o turismo para estas plagas é hipótese descartada.