quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Explicando um pouco a Argentina

A Argentina é um país que tem uma parte que se assemelha com o Uruguai e com o Rio Grande do Sul, em relação aos hábitos e a língua. O espanhol tem palavras comuns ao português regional do sul, divergindo da pronunciação espanhola. Porém, tome cuidado com os "falsos amigos", expressão que nos leva à situação do "falso cognato".

O portenho "silva" (assobia) um "x", curiosamente, assemelhando-se ao nosso nortista de Manaus. A "ella" (ll) é uma letra que tem o som de uma mistura forçada de "d" e "j". Assim, "castellano" não será pronunciado como "castelhano", mas como "castedjano" e "amarillo" como "amaridjo". Porém, eles entenderão se falar, respectivamente, "castejano" e "amarijo".

Na Argentina, não se come feijão, cujo nome é "frijol". Porém, as poucas pessoas que o conhecem o chamam de "poroto". Come-se batata, denominada "papas", e carne. Arroz é "arroz" mesmo e pode ser encontrado com certa facilidade.

A parrilhada (churrasco com carnes variadas) é ruim porque reune linguiça de sangue, rins, tripas e outras "cositas" que não são da apetência dos brasileiros em geral. Porém, se come bem quando se pede "lomo" (filé) ou "pescados" (peixes).

É um país quebrado, com uma frota de veículos muito velha, mas de um povo com uma média educacional acima da brasileira. Outrossim, o idioma espanhol é mais pobre (tem menos palavras que o português). Talvez por isso, eles tenham muitas dificuldades para entender os brasileiros. Pedindo para eles falarem "despacio" (devagar), mesmo sem saber espanhol, entender-se-á tudo, mas o mesmo não ocorre. Muitas vezes se falará devagar em português e eles não entenderão nada.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A minha relação com a Argentina está esfriando por culpa do seu povo.

Escrevo de Buenos Aires e trato de um dos meus poucos amigos, um grande amigo que desistiu de vir a Buenos Aires porque, segundo me disse, fizeram-lhe muitos pedidos de propina na estrada. Achei estranho. O convidei anteriormente para vir e aceitei pacificamente sua ida para Florianópolis, onde sei que encontrou apenas argentinos. Deve ter ficado irritado com a supervalorização dos argentinos na nossa terra, mormente sabendo da desgraça econômica geral que grassa por aqui.

Convidei também o meu irmão e ele veio. Passei informações erradas sobre os valores dos combustíveis (esqueci que o diesel não é subsidiado por aqui), mas isso não foi o pior. A perseguição da polícia argentina aos brasileiros é evidente. Ele foi multado, aparentemente assediado para propinas (o levaram para conversas particulares para negociar descontos), várias vezes e, quando chegou à Capital Federal, pensei que haveria um basta. Ledo engano...

Eu, pessoa que sempre defendeu os argentinos e a Argentina, confirmo a minha tese de que a última impressão é a que fica. Ela é: "los hermanos" não tem grande simpatia pelos brasileiros.

Ontem removeram o veiculo do meu irmão para um depósito público por estacionamento irregular, isso quando muitos carros do povo argentino, em situação pior, não foram molestados.

Alimentamos sua economia. Grande parte da arrecadação da Argentina decorre do turismo brasileiro e não nos valorizam (o garçom do Oye Chico me ironizava). Por isso, estou aqui a desabafar sentimentalmente porque tenho família e no Brasil temos valores mínimos. A moral brasileira é a de tratar bem as pessoas que estão nos ajudando, mas aqui as coisas parecem ser um pouco diferente.

Voltarei a viajar para o NE brasileiro!!!!!!!!!!!!!!!!!

Terminarei o curso que realizo aqui, mas sem a intenção de voltar. Voltarei apenas o tempo minimo necessário para qualquer outra atividade essencial, mas o turismo para estas plagas é hipótese descartada.