Fui
professor universitário por 25 anos, de 1995 a 2020. Naquela época não se
falava em inteligência artificial, o que me livrou de muitos vexames. Digo isso
a partir de uma afirmação que eu fazia: “Não entendo o porquê de falarem tanto
de ‘preto’ como demérito de cor, uma vez que ‘preto é a ausência de cor’”.
Às
vezes, contestando as políticas de cotas puramente raciais, questionava a
preferência dos acadêmicos pela denominação “afro-brasileiro”, em desprestígio
da palavra “negro”. Mas, rapidamente, surgiu o “empoderamento da mulher preta”.
O “negro” foi enterrado definitivamente. Naquela época eu dizia, a raça é
humana, seus gêneros são negro e branco, enquanto preto, branco, pardo etc. são cores da cútis.
Esse
assunto voltou à minha memória hoje e questionei ao Gemini (IA do Google): “Branco
é a junção de todas as cores e preto a ausência de cores?”
A
resposta foi:
No mundo da Luz
(Sistema Aditivo - como telas de TV, celular e o sol)
>> Branco: É a junção de
todas as cores (todos os comprimentos de onda da luz visível refletidos ou
somados, como no sistema RGB: vermelho, verde e azul).
>> Preto: É a ausência de
luz (e, portanto, a ausência de cores).
No mundo dos
Pigmentos (Sistema Subtrativo - como tintas, guache e impressão)
>> Branco: É a ausência de
pigmento ou uma superfície que reflete toda a luz.
>> Preto: É a junção de
todas as cores (quando você mistura tintas de várias cores, como ciano,
magenta e amarelo, elas absorvem a luz e o resultado prático é o preto).[1]
Ainda
bem que eu era Professor de Direito e a matéria era Direito Penal, visto que
errei feio quanto a isso. De qualquer modo sempre fui e continuo sendo contra
toda forma de racismo.
Fui
contra as cotas puramente raciais e hoje penso diversamente porque a
Universidade de Brasília-UnB me convenceu que ainda temos dificuldades que
ultrapassam aspectos sociorraciais para o acesso ao mercado de trabalho.
Eu
acreditei que toda objeção ao sucesso era social (fui muito discriminado pelo
fato de ter origem pobre). Assim, defendia que toda cota deveria ser, no mínimo,
sociorracial. Sem embarcar no discurso de existir racismo estrutural, mudei a minha
posição e hoje sou a favor de cotas puramente raciais no Congresso Nacional,
nos Tribunais, no Ministério Público e nas Universidades Públicas.
Peço
desculpas aos meus alunos que me viram e ouviram errando!
[1] Disponível em: <https://www.google.com/search?q=branco+%C3%A9+a+jun%C3%A7%C3%A3o+de+todas+as+cores+e+preto+a+aus%C3%AAncia+de+cores%3F&oq=branco+%C3%A9+a+jun%C3%A7%C3%A3o+de+todas+as+cores+e+preto+a+aus%C3%AAncia+de+cores%3F&gs_lcrp=EgZjaHJvbWUyBggAEEUYOdIBCTIzMzQ1ajBqN6gCCLACAfEFaIA-WFxYpok&sourceid=chrome&source=chrome.ob&ie=UTF-8>.
Acesso em 30.10.2026, às 21h39.