sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Preto e branco: eu e os meus erros

 

Fui professor universitário por 25 anos, de 1995 a 2020. Naquela época não se falava em inteligência artificial, o que me livrou de muitos vexames. Digo isso a partir de uma afirmação que eu fazia: “Não entendo o porquê de falarem tanto de ‘preto’ como demérito de cor, uma vez que ‘preto é a ausência de cor’”.

Às vezes, contestando as políticas de cotas puramente raciais, questionava a preferência dos acadêmicos pela denominação “afro-brasileiro”, em desprestígio da palavra “negro”. Mas, rapidamente, surgiu o “empoderamento da mulher preta”. O “negro” foi enterrado definitivamente. Naquela época eu dizia, a raça é humana, seus gêneros são negro e branco, enquanto preto, branco, pardo etc. são cores da cútis.

Esse assunto voltou à minha memória hoje e questionei ao Gemini (IA do Google): “Branco é a junção de todas as cores e preto a ausência de cores?”

A resposta foi:

No mundo da Luz (Sistema Aditivo - como telas de TV, celular e o sol)

>> Branco: É a junção de todas as cores (todos os comprimentos de onda da luz visível refletidos ou somados, como no sistema RGB: vermelho, verde e azul).

>> Preto: É a ausência de luz (e, portanto, a ausência de cores).

No mundo dos Pigmentos (Sistema Subtrativo - como tintas, guache e impressão)

>> Branco: É a ausência de pigmento ou uma superfície que reflete toda a luz.

>> Preto: É a junção de todas as cores (quando você mistura tintas de várias cores, como ciano, magenta e amarelo, elas absorvem a luz e o resultado prático é o preto).[1]

Ainda bem que eu era Professor de Direito e a matéria era Direito Penal, visto que errei feio quanto a isso. De qualquer modo sempre fui e continuo sendo contra toda forma de racismo.

Fui contra as cotas puramente raciais e hoje penso diversamente porque a Universidade de Brasília-UnB me convenceu que ainda temos dificuldades que ultrapassam aspectos sociorraciais para o acesso ao mercado de trabalho.

Eu acreditei que toda objeção ao sucesso era social (fui muito discriminado pelo fato de ter origem pobre). Assim, defendia que toda cota deveria ser, no mínimo, sociorracial. Sem embarcar no discurso de existir racismo estrutural, mudei a minha posição e hoje sou a favor de cotas puramente raciais no Congresso Nacional, nos Tribunais, no Ministério Público e nas Universidades Públicas.

Peço desculpas aos meus alunos que me viram e ouviram errando!



[1] Disponível em: <https://www.google.com/search?q=branco+%C3%A9+a+jun%C3%A7%C3%A3o+de+todas+as+cores+e+preto+a+aus%C3%AAncia+de+cores%3F&oq=branco+%C3%A9+a+jun%C3%A7%C3%A3o+de+todas+as+cores+e+preto+a+aus%C3%AAncia+de+cores%3F&gs_lcrp=EgZjaHJvbWUyBggAEEUYOdIBCTIzMzQ1ajBqN6gCCLACAfEFaIA-WFxYpok&sourceid=chrome&source=chrome.ob&ie=UTF-8>. Acesso em 30.10.2026, às 21h39.