segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Ortodoxia: Capítulo 4: O Estandarte do Mundo

 

Ortodoxia: Capítulo 4: O Estandarte do Mundo[1]

Este é o quinto resumo do livro intitulado Ortodoxia, de 1908, cujo autor é Gilbert Keith Chesterton (1874-1936).[2][3][4][5] Volto a dizer o que consta dos outros textos, não busco ser pretencioso a ponto de pretender substituir o livro do autor, que é um clássico. Mas, ouso emitir opiniões pessoais, às vezes, discordando das posições do autor.

Chesterton inicia dizendo que quando criança ouvia dizer existentes humanos curiosos otimistas e pessimistas e que “...o otimista acreditava que este mundo era tão bom quanto poderia ser, enquanto o pessimista acreditava que era tão mau quanto poderia ser”.[6] Ele, então, faz um paradoxo para dizer que tais afirmações não podem subsistir porque o homem está na posição no mundo, antes de o próprio homem existir. E então vem a ideia do estandarte, historicamente utilizado pelos comandantes nas balhas militares de guerra, afirmando: “...Lutou pelo estandarte, e muitas vezes conquistou vitórias heroicas, antes de ter se alistado. Para resumir o assunto, ele é leal muito antes de qualquer admiração”.[7]

No Capítulo 3, primeiro resumo que postei, o autor – segundo ele mesmo – tentou demonstrar que o sentimento primário atrativo é maravilhosamente expresso nos contos de fadas. A aceitação do universo pelo autor não é otimismo, está mais próxima de patriotismo. É uma questão de lealdade primária. Não é a tristeza ou a alegria do mundo que nos leva a o amar. Argumentos otimistas e pessimistas são argumentos favoráveis para o patriota amar o seu país.[8]

Chesterton chama a atenção para um bairro de Londres – Pimlico, o qual, na sua época, parecia ser descuidado -para dizer que isso ocorria por falta de amor. Afirma que um homem que ama uma mulher lhe oferece adornos, “não para ocultar o que é horrível, mas para decorar o que já é adorável”. Logo em seguida, arremata: “Os povos primeiro cultuaram um lugar e depois conquistaram a glória para ele. Os homens não amaram Roma porque ela era grandiosa: ela se tornou grandiosa porque os homens a maram”.[9]

O autor diz que refutar o contrato social, como o fizeram os ingleses, é um erro. Porém, o erro do contrato social está em pressupor que a moral decorreu de um consenso consciente, por exemplo, não tente me matar e não tentarei te matar, visto que na verdade foi a partir da religião que a moral se construiu.  Os dez mandamentos são ordens eminentemente militares, que os levaram a proteger a arca de Deus e perceberem serem corajosos. Não cultivaram o asseio, tendo descoberto que purificar o santuário os fez sentirem limpos. A anarquia não tinha lugar porque ameaçava a santidade. Ao dedicarem um dia a Deus descobriram ter descoberto um feriado. Então, afirma que essa devoção primária é o que nos faz alcançar um ponto peculiar e, também, o único otimismo é apropriado é um tipo de patriotismo universal.[10]

Chesterton compara o amigo sincero ao antipatriota e ao pessimista porque ambos são, no fundo, insinceros. O antipatriota constrói argumentos para afastar pessoas do seu estandarte. Afirmar que o mal do pessimista é não possuir a lealdade primária e sobrenatural às coisas. Ele “Não limpará o mundo, mas encobrirá os seus erros”.[11]

O patriotismo é exaltado pelo autor, concluindo que quanto mais transcendental é o seu patriotismo, mais prática é a sua política”.[12][13] Então, Chesterton faz um paralelo com a lealdade feminina, aduzindo:

Certos imbecis espalharam a ideia de que o apoio incondicional da mulher ao marido significa que as mulheres são cegas e nada enxergam. Dificilmente conheceram alguma mulher. As mesmas mulheres que estão prontas para seus homens na alegria e na tristeza, em seu convívio pessoal são quase morbidamente lúcidas a respeito da vacuidade das suas desculpas e a dureza de suas cabeças.[14]

Devemos atualizar um pouco a situação social mundial e brasileira. Em países que consideramos desenvolvidos, essas distinções entre homem e mulher já não tem lugar. Nestas plagas tupiniquins, onde a civilização é tardia, ainda há muito a corrigir. Porém, falar em “apoio incondicional da mulher ao homem”, mesmo no Brasil, isso é um extremo que não se pode encontrar nos registros de estudos sociológicos atuais. Não me canso de citar Harari, o qual evidencia, desde o final de SAPIENS e em todo Homo Deus, que a sociedade do final do Século XX e do início do Século XXI está doente e a doença é mental.[15] Assim, talvez, algumas exceções de mulheres desequilibradas ainda permitam falar em “apoio incondicional”. Fora disso, a regra é o casamento fortalecer a sua natureza que é dada pelo Direito (natureza jurídica) de contrato sui generis, só sendo mantido pela vontade dos cônjuges.

O autor critica William Makeapeace Thackeray (1811-1863)[16] e Mathew Arnold (1822-1888),[17] escritores ingleses, no contexto da sua afirmação de que amor não é cego e sim obrigado e quanto mais obrigado, menos cego ele é. “Esta se tornou, ao menos, minha posição sobre tudo que era chamado otimismo, pessimismo e progresso. (...) Um homem deve se interessar pela vida, e só depois pode se desinteressar por suas visões sobre ela”.[18]

Chesterton afirma que desejamos e aspiramos realizações contraditórias. Ao mesmo que desejamos invadir um castelo de um ogro buscamos um casebre tranquilo para sossegar. E conclui que o otimista racional fracassa enquanto o otimista irracional tem êxito, visto que está pronto para esmagar todo universo para o seu próprio bem. Então, menciona Henrik Johan Ibisen (1828-1906)[19] para critica a proposta de seu tempo de ser o suicídio bom. Ele contextua com William Archer (1856-1924)[20] para afirmar a proposta deste de ser possível o bom suicídio por um centavo (um suicídio em uma máquina automática), enquanto para Chesterton, o suicídio não é apenas um pecado, é o pecado, inexistindo como falar em bom suicídio.[21][22] E o autor prossegue criticando o suicida e o suicídio, declarando expressamente ser ele o pior dos crimes.[23] Continuando a crítica ao suicida, o autor elogia a rispidez do cristianismo ao suicida, lembrando a “estaca na encruzilhada para demonstrar o que o Cristianismo pensava do suicida”.[24][25]

O autor muda o enfoque da discussão sustentando:

Tem emergido nas controvérsias modernas um hábito imbecil de dizer que este ou aquele credo apropriado a uma época não o pode ser para outra. Certo dogma, dizem-nos, foi verossímil no Século XII, mas não é mais no Século XX. (...) Aquilo que um homem pode acreditar depende de sua filosofia, e não do relógio ou do século.[26]

Chesterton critica os pensadores cristãos do seu tempo, dizendo que fizeram elogios insustentáveis ao Cristianismo, criando peculiaridade que este não tem: “...o mais notável no Cristianismo é ter sido a primeira religião a pregar o Cristianismo. Sua peculiaridade era ser peculiar, e a simplicidade e a sinceridade não peculiares, mas sim ideais óbvios para toda a humanidade”. Afirma que os últimos estóicos, exemplificando com Marco Aurélio (121-180),[27][28] ao exemplo da doutrina Quaker, creem na existência de uma Luz Interior.[29] Chesterton afirma que “De todas as religiões horríveis, a mais horrível é a do culto do deus interior. (...) o Cristianismo veio ao mundo para afirmar que um homem (...) [tem que] contemplar com entusiasmo e admiração um companheiro e um comandante divino (...) como um exército e o seu estandarte”.[30]

Rejeito toda proposição construída no sentido de nos tornarmos deuses ou semideuses. Há muito tempo que um livro teve muito espaço no Brasil, o qual tem por fundamento a ideia de que se alimentarmos o nosso subconsciente com bons pensamentos e positividade, poderemos alcançar quilo que desejamos.[31] Mais recentemente, essa versão veio como “poder da atração”, também insustentável.[32]

Chesterton continua criticando o estoicismo e sugere hipocrisia ao fazer uma relação dos estoicos com Juliano, o Apóstata (331-363).[33] Também, atribui aos últimos estoicos o pessimismo e reitera a afirmação de que Marco Aurélio o era, afirmando que eles buscavam resposta no mundo interior, enquanto o Cristianismo trouxe A Resposta, separando Deus e o cosmo. Esse é o postulado central do Cristianismo, para o qual Deus ao criar o mundo o libertou.[34]

A separação de Deus em relação ao mundo e ao homem continua sendo objeto da argumentação do autor. Ele aduz que o otimismo foi invertido e que o  Cristianismo o fez perceber o otimismo com uma simplicidade repentina. “...Mas todo o otimismo de nossa época era falso e desencorajador por tentar provar que nos encaixamos no mundo. O otimismo cristão se baseia no fato de que não nos encaixamos no mundo”.[35] E Chesterton conclui o capítulo afirmando que o Cristianismo supriu uma lacuna nele, permitindo sentir felicidade e ser otimista.



[1] Noutra tradução, “A Bandeira do Mundo”. CHESTERTON, Gilbert K. Ortodoxia. 2. ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2012. Disponível em: <https://books.google.com.br/books?id=aybgh8gvofUC&printsec=frontcover&hl=pt-BR&source=gbs_atb#v=onepage&q&f=false>. Acesso em: 7.9.2026, às 9h20.

Ouso tomar partido, optando pela palavra estandarte, e, valendo-me da inteligência artificial do Google, apresento as principais diferenças que existem entre eles:

>> Bandeira: É um pedaço de pano (geralmente retangular ou quadrado) preso por um dos lados a uma haste ou mastro fixo, usado principalmente para representar nações, estados, províncias ou grandes territórios. [1]

>> Estandarte: É uma insígnia portátil, frequentemente associada à identidade de uma corporação, unidade militar, escola de samba, agremiação cultural (como blocos de maracatu) ou instituição religiosa. Ele costuma ser carregado manualmente em desfiles, procissões ou formaturas e pode conter formatos e ornamentos mais complexos ou diferenciados (como franjas e fitas).

Embora os dicionários apresentem as duas palavras como sinônimas, o estandarte tem uma significação de menor abrangência, sendo específica, não gozando do prestígio de constituir símbolo nacional ou estadual. Ademais, no contexto do capítulo, o símbolo se refere a um seguimento da população mundial, não à um Estado ou pessoa jurídica de Direito Público interno ou esterno. Também, o estandarte está sempre vinculado ao simbolismo militar de o carregarem durante o combate.

[2] MESQUITA JÚNIOR, Sidio Rosa de. Relativismo e determinismo em Chesterton e em mim. Publicado em: 27.8.2026. Disponível em: <https://sidiojunior.blogspot.com/2026/08/relativismo-e-determinismo-em.html>. Acesso em: 30.8.2026, às 0h31.

[3] MESQUITA JÚNIOR, Sidio Rosa de. Prefácio e introdução ao livro intitulado Ortodoxia. Publicado em: 30.8.2026. Disponível em: <https://sidiojunior.blogspot.com/2026/08/prefacio-e-introducao-ao-livro.html>. Acesso em: 30.8.2026, às 18h.

[4] MESQUITA JÚNIOR, Sidio Rosa de. Ortodoxia: Capítulo 1: O Lunático. Publicado em: 8.9.2026. Disponível em: <https://sidiojunior.blogspot.com/2026/09/ortodoxia-capitulo-1-o-lunatico.html>. Acesso em: 9.9.2026, às 19h17.

[5] MESQUITA JÚNIOR, Sidio Rosa de. Ortodoxia: Capítulo 2: O Suicídio do Pensamento. Publicado em: 24.9.2026. Disponível em: <https://sidiojunior.blogspot.com/2026/08/relativismo-e-determinismo-em.html>. Acesso em: 26.9.2026, às 11h25.

[6] CHESTERTON, G. K., Ortodoxia. 2. ed. Campinas: CEDET, 2018. p. 83.

[7] Ibidem. p. 84.

[8] Ibidem. p. 84-85.

[9] Ibidem. p. 85-86.

[10] Ibidem. p. 86.

[11] Ibidem. p. 87-88.

[12] Ibidem. p. 89.

[13] Tal discurso é atual, já o disse anteriormente neste trabalho de resumir o livro, até porque está havendo, em vários lugares do mundo, politização da religião, dando ensejo aos movimentos de vertente fascistas – que remontando a Ação Integralista Brasileira (AIB), de 7.10.1932 – propagam de forma extrema e intolerante o lema “Deus, Pátria e Família”.

[14] CHESTERTON, G. K., Op. cit. p. 89-90.

[15] HARARI, Yuval Noah. Sapiens: uma breve história da humanidade. 24. Ed. Porto Alegre: l&PM, 2017; ______. Homo deus: uma breve história do amanhã. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.

[16] Thackeray foi um célebre escritor britânico. No seu livro intitulado a Feira das Vaidades ele trata da hipocrisia, da vaidade e da ambição material da sociedade inglesa do Século XIX. Faz uma crítica à aristocracia decante e à burguesia em ascensão, ambas obcecadas por status. O livro não tem herói porque ninguém é puramente bom. Tenta demonstrar que a busca social por riqueza e posição social é vazia e efêmera. Ele utiliza como base as Guerras Napoleônicas, com enfoque, no impacto egoísta e cotidiano das batalhas.

[17] Também britânico, Matteuw Arnold foi um poeta e crítico literário que defendeu a democratização da educação. Foi um moralista que defendeu a “crítica da vida” e a “alta seriedade”.

[18] CHESTERTON, G. K., Op. cit. p. 90.

[19] O norueguês Ibisen foi um dos criadores do teatro realista moderno, foi poeta e diretor teatral, sendo considerado o “pai do drama em prosa” e um dos criadores do modernismo no teatro. Sua obra foi considerada escandalosa porque ele buscava analisar a realidade existente por trás convenções e costumes. Ele influenciou Bernard Shawe e outros. Ele travou uma luta contra as mentiras sociais e a hipocrisia do amor. Ele foi influenciado pelo filósofo dinamarquês Soren Kierkegaard. Em sua obra Casa de Bonecas, fez críticas mordazes aos papéis conjugais aceitos por homens e mulheres que caracterizaram a sociedade da sua época. Também, na obra intitulada Espectros criticou a moralidade da sociedade, retratando a história de uma mulher que uma mulher confessa ao seu pastor ter escondido luxúrias do casamento para que ele fosse duradouro. Ocorre que havia promiscuidade e ela prosseguiu durante a vida de casada e, ainda, transmitiu sífilis ao seu filho, tudo visando a demonstrar como uma doença sexualmente transmissível pode envenenar toda família. E, na peça Um Inimigo do Povo Ibisen procura demonstrar que o indivíduo que está sozinho está mais certo do que a massa popular, dotada de carneiros ignorantes, criticando ao mesmo o conservadorismo e o liberalismo social da sua época. Ibsen publicou Rosmersholm, A Dama do Mar e Hedda Gabber, três peças, que discutem o papel da mulher na sociedade e leva o espectador a refletir sobre a própria existência da humanidade. Depois, escreveu O Pequeno Eyolf, no qual faz uma crítica o papel social da família do Século XiX

[20] Archer foi um escocês, crítico de teatro que, em 1906, publicou as obras completas de Ibsen em inglês. Logo após o surgimento da 1ª Guerra Mundial ele foi considerado o mais importante crítico de teatro de Londres.

[21] CHESTERTON, G. K., Op. cit. p. 92.

[22] Diversamente de Chesterton, penso que a vida só se justificará enquanto houver dignidade. Como a dignidade é um conjunto de direitos e garantias fundamentais que permitem ao indivídio se firmar como uma pessoa capaz de exercer seus direitos e obrigações, defendo que em nome dessa dignidade, a pessoa possa escolher, inclusive, se pretende continuar vivendo ou morrer. Esclareça-se, no entanto, que não faço apologia ao suicídio, salvo no caso de existir grave moléstia que retire da pessoa a possibilidade de vida digna.

[23] No Brasil, suicidar-se não é crime. Participar do suicídio alheio poderá ser o crime de participação em suicídio (Código Penal, art. 122) ou, excepcionalmente, quando a pessoa tiver o dever de impedir o suicídio praticará homicídio (Código Penal, art. 121). Porém, caso uma pessoa, desejando a morte, se lance de um lugar alto e que fatalmente morreria, mas venha a cair em cima de uma carga macia de um caminhão que esteja passando embaixo e sobreviva com leves escoriações, não responderá por suicídio tentado.

[24] CHESTERTON, G. K., Op. cit. p. 93.

[25] Da IA do Gooble extraio:

A relação da "estaca na encruzilhada" com o cristianismo vem de uma antiga tradição e prática jurídica da Idade Média, que posteriormente ganhou uma forte metáfora teológica através da literatura cristã.

Historicamente, durante séculos na Europa cristã, o suicídio era considerado um dos pecados mais graves, pois representava a recusa da vida (um dom divino) e o desespero absoluto (a negação da misericórdia de Deus). Por esse motivo, as leis canônicas e civis proibiam que os suicidas fossem enterrados no solo sagrado dos cemitérios.

Para evitar que seus fantasmas "assombrassem" os vivos (uma crença popular da época), eles eram enterrados em encruzilhadas de estradas, e uma estaca de madeira era fincada sobre o corpo para prendê-lo à terra. A escolha da encruzilhada também servia para que o sinal da cruz (formado pelo cruzamento das vias) protegesse os viajantes e dispersasse as energias negativas.

...Chesterton utiliza essa antiga prática para explicar como o cristianismo enxerga a vida humana e o pessimismo radical:

>> O Cristão vs. O Suicida: Chesterton argumenta que o cristianismo tolera o assassino ou o pecador comum porque, apesar do crime, eles ainda desejam ou valorizam algo no mundo. O suicida, porém, destrói o universo inteiro para si mesmo; ele comete um insulto definitivo contra a criação.

>> A Estaca como Símbolo: Chesterton escreve textualmente que "existe a estaca na encruzilhada para mostrar o que o cristianismo pensava do pessimista". Para ele, o ato violento de cravar a estaca na encruzilhada não era uma crueldade vazia, mas uma reação de horror enérgica da civilização cristã contra o pessimismo niilista que desiste da existência.

[26] CHESTERTON, G. K., Op. cit. p. 94.

[27] O estoicismo é uma escola de filosofia que surgiu em Atenas, por obra de Zenão de Cítio (333-263 a.C.) por volta do ano 300 a.C., visando à atarixia (paz de espírito) e a virtude, para tanto, viver em harmonia com as leis da natureza e da razão universal (logos).

[28] Foi imperador romano de 161 a 180. Ele estudou filosofia e aderiu ao estoicismo. Ele escreveu Meditações, que uma das melhores fontes para compreender o estoicismo.

[29] Quaker (o que treme) tem origem em um insulto de um Juiz britânico, de 1650, no qual ironizou o tremor ou a forte emoção espiritual dos fiéis diante de Deus. A doutrina quaker (Sociedade Religiosa dos Amigos) é o movimento cristão protestante dos meados do Século XVII, focado na comunhão direta com Deus sem intermediários clericais. Afirma que há uma chispa divina em cada pessoa (Luz Interior), que serve como guia moral e espiritual direto, rejeitando padres, pastores pagos, sacramentos formais e liturgias fixas. Era pacifista e defendia a igualdade radical entre as pessoas. Também, tinha a opção pela simplicidade e integridade.

[30] CHESTERTON, G. K. Op. cit. p. 96-97.

[31] MURPHY, Joseph. O poder do subconsciente. 38. ed. Rio de Janeiro: Record, 1994.

[32] RHONDA, Byrne. O segredo. Rio de Janeiro: Ediouro, 2007.

[33] Flávio Cláudio Juliano foi imperador romano por 20 meses apenas, de 361 a 363. Ele foi o último imperador romano pagão, razão de a igreja ter lhe dado o título de “O Apóstata”, quando o cristianismo já era aceito e incentivado desde Constantino I (272-337). Ele teve a pretensão de harmonizar a cultura e a justiça com os valores da antiga religião pagã do povo romano.

[34] CHESTERTON, G. K. Op. cit. p. 98-99.

[35] Ibidem. p. 102.

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Crise do STF4: Fux cassa decisão do Dino

Pensei em intitular esse texto de “Samba do Crioulo Doido”, que narra a história de um compositor de sambas de enredos que falava da história do Brasil em suas músicas, até que escolheram a “atual conjuntura” para o enredo do ano, o que o endoidou de fez e resultou em um samba de letra repleta de contradições e paradoxos.[1]

O comediante Antônio Tabet, recentemente publicou: “A família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar nossa Senhora Aparecida”. A seguir, no dia 25.9.2025, o Min. André Mendonça, no TSE, determinou para serem exluídas as postagens que liguem Flávio Bolsonaro a essa polêmica inventada por Tabet. Este deu alimento ao monstro que se criava publicando: “Desculpe-me ‘família rachadinha’. Eu não disse nomes. Mas, se a caparapuça serviu...”.

Tabet, nos autos da Reclamação n. 95.295 (Deltan X TREPR), pediu a liberação das suas postagens e o Ministro Flávio Dino, em 28.9.2026, cassou a decisão do TSE. Então, Flávio Bolsonaro, nos autos do RE 1057258-MC/MG, peticionou pedindo para que essa decisão fosse cassada. Esse recurso é interposto pelo Google Brasil Internet Ltda. e, mesmo assim, o Min. Luiz Fux, no mesmo dia 28.9.2026, cassou a decisão do colega.[2][3]

A decisão do Ministro Flávio Dino pode receber críticas negativas. Todavia, pelo menos estava no âmbito da jurisdição constitucional do STF. No entanto, a do Ministro do Ministro Luiz Fux é contraditória e sob o manto de corrigir evidencia novo erro inexplicável.

Ratifico, está faltando liderança à Presidência do STF que assiste apática tais contradições que evidenciam que o tribunal elouqueceu ante às aberrações da história recente da nossa amada Pátria Hy-Brazyl, o que parece advir desde a sua “descoberta”.[4]



[1] Qualquer interessado pode acessar e ler a letra da música, bem como ouvi-la em: <Samba do Crioulo Doido - Sergio Porto - LETRAS.MUS.BR>. Acesso em: 29.9.2026, às 11h57.

[2] Decisão disponível em: <https://conjur.com.br/wp-content/uploads/2026/09/downloadPeca-5-1.pdf>. Acesso em: 29.9.2026, às 11h54.

[3] Toda narrativa dos fatos, dos dois últimos parágrafos, consta de: VITAL, Danilo. Fux manda suspender novamente publicações sobre Nossa Senhora Aparecida. Consultor Jurídico, 29.9.206, 9h30. Dipsonível em: <https://conjur.com.br/wp-content/uploads/2026/09/downloadPeca-5-1.pdf>. Acesso em: 29.9.2026, às 12h01.

[4] MESQUITA JÚNIOR, Sidio Rosa de. A descoberta do Brasil é uma fraude. ´Postagem de 20.4.2015.  Disponível em: <https://sidiojunior.blogspot.com/search?q=Tratado+de+Tordesilhas>. Acesso em: 29.9.2026, às 112h50.

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Crise do STF3: Sessão do CSMPF Para Decidir Sobre o PGR Paulo Gonet

Paulo Gustavo Gonet Branco, nascido em 16.8.1961, é o Procurador-Geral da República-PGR, desde 18.12.2023. Ele teve o seu nome envolvido no Caso Banco Master, um dos centros da crise no STF - se bem que concordo com alguns Ministros do STF, no sentido de que o ponto central da crise é o uso político do sistema de justiça para promover determinado seguimento de candidatos que se autoproclamam de direita.

O então relator Ministro André Mendonça, em evidente vazamento seletivo de informações sigilosas de investigação criminal, deu gasolina aos "candidatos de direita" para incendiarem o Supremo Tribunal Federal-STF, cujo incêndio já se anunciava nas falas de alguns candidatos.

O fato é que o então relator mencionado levantou o sigilo e apresentou a íntegra de um relatório da investigação policial que, segundo a imprensa, ele se colocava como inquisidor parcial. Aliás, desde antes, a jornalista Malú Gaspar vinha angariando os louros de vazamentos criminosos e sigilosos de inquérito policial. Com a devida vênia, participar do crime alheio é coautoria ou participação (Código Penal, art. 29) e não mera liberdade de imprensa.

Nos idos da famigerada "operação lava jato" eu insistia que Juízes e Membros do MPF estavam praticando crime, visto que a Lei n. 12.850, de 2.8.2013, dispõe: "Art. 20. Descumprir determinação de sigilo das investigações que envolvam a ação controlada e a infiltração de agentes. Pena- reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa".

Uma fotografia, por si só, não fala nada. É necessário verificar até mesmo se não se trata de uma criação de IA ou qualquer outro tipo de montagem, ou em que ambiente isso se deu e por quanto tempo porque é evidente que o investigado Daniel Vorcaro criava registros, simulava contatos para valorizar a sua influência nos Poderes da República. Não estou julgando, quem está decidindo se os fatos merecem investigação ou arquivamento é o Conselho Superior do Ministério Público Federal-CSMPF, o qual é dotado de 10 membros (PGR, Vice-PGR, 4 membros eleitos pelo Colégio de Procuradores e 4 eleitos pelos Subprocuradores-Gerais).

Corretamente o CSMPF decidiu que o PGR não participa, visto que interessado (nisso venho dizendo, o STF está errando). Portanto, restaram 9 membros a votar.

Quatro membros do CSMPF votaram que o conselho não tem competência para decidir sobre eventual suspeição ou impedimento de Paulo Gonet é o STF (a rigor, o CSMP tem competência alguma, visto que em Direito Processual, competência é delimitação da jurisdição e esta é exclusiva do Poder Judiciário). A sessão terminou inconclusiva quanto à abertura de investigação para apuração dos fatos e a conduta de Gonet perante tais fatos.

Ratifico, o STF precisa melhorar o seu procedimento e afastar supostos envolvidos com o Banco Master, Daniel Vorcaro, seja diretamente ou indiretamente, ao exemplo do que o fez o MPF. Esse é um início jurídico que se espera.

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Ortodoxia: Capítulo 2: O Suicídio do Pensamento

Escrevi três textos,[1][2][3] visto que estou resumindo o livro Ortodoxia, de 1908, cujo autor é Gilbert Keith Chesterton (1874-1936). Espero que o leitor leia a íntegra do livro, cuja leitura é extremamente agradável. Não é atoa que é um clássico.

O capítulo se inicia assim:

O LINGUAJAR DAS RUAS não é somente flexível e sutil: uma figura de linguagem pode frequentemente se enfiar num buraco pequeno demais para uma definição. Expressões como “por as cartas na mesa” ou fazer nas coxas”[4] poderiam ser cunhadas pelo Sr. Henry James em uma busca desesperada pela precisão verbal.[5][6]

Chesterton passa pelo adágio popular de ter um homem “o seu coração no lugar certo” para dizer que o mundo do seu tempo era bom, em certos lugares exageradamente bom, mas que o sistema religioso foi estilhaçado pelo Cristianismo da reforma e declara que “...O mundo moderno é cheio antigas virtudes cristãs que elouqueceram. E enlouqueceram porque foram isoladas umas das outras, vagando sozinhas”.[7]

Chesterton menciona Blatchford,[8] fazendo severas críticas e paradoxalmente o elogiando. Continua o paradoxo elogiando o inquisidor Tomás de Torquemada (1420-1498) e criticando o escritor libertário Émile Zola (1840-1902), presumivelmente assassinado por ter escrito uma carta aberta intitulada J’accuse (Eu Acuso), publicada em 13.1.1898, acusando o governo francês de antissemitismo por julgar e condenar o Capitão Alfred Dreyfus por traição. E, sobre esse paralelo feito diz: “Mas, um caso bem mais significativo do que este da verdade e da compaixão pode ser descoberto no incrível processo de deslocamento da humildade”.[9]

O autor elogia a humildade expondo:

...se tornou evidente que se um homem quer tornar seu mundo grande, deve sempre tornar a se mesmo pequeno. (...) É impossível apreciar qualquer coisa sem a humildade – até mesmo o orgulho.[10]

Chesterton critica a humildade do seu tempo expondo:

Pois a antiga humildade tornava um homem cético sobre seus esforços, o que poderia fazer com que se esforçasse mais.  Mas, a nova humildade torna um homem cético sobre seus objetivos, o que o levará a abandonar completamente todo esforço.[11]

Sobre o objetivo do Capítulo 1, o autor expõe:

O capítulo anterior se preocupou com que um fato observável que todo perigo de morbidez advém da razão e não da imaginação. Não tinha a intenção de atacar a autoridade da razão, mas sim de defendê-la em última instância. E ela precisa ser defendida, já que todo mundo moderno está em guerra contra a razão, e a torre já vacila.[12]

Nesse contexto de defesa da razão, Chesterton defende que a austeridade dos antigos se baseava na razão. Também, as cruzadas pois se tudo poderia ser questionado, até a própria razão seria colocada em xeque. Em seguida, declara que a autoridade religiosa foi opressiva e irracional, assim como todo sistema legal, especialmente o da época da edição do livro, anos de 1907/1908, insensível e repleto de uma cruel apatia.[13]

O autor afirma: “...Quando a religião se vai, a razão está prestes a se esvair. Pois ambas são fontes primárias e autoritárias”.[14] Curiosamente, no Brasil, temos o equivocado adágio popular que “não se discute política, religião e futebol”. Política pela própria natureza da polis (cidade), deve ser discutida porque é a sociedade em sua governança, a religião pressupõe fé e o futebol paixão. De todo modo, digo, precisam ser discutidos, exigindo civilidade nos debates, uma vez que a intolerância e a paixão doentia geram conflitos e violência. Entretanto, conforme o autor afirma, a religião é autoritária, mitigando a possibilidade de discussão.

Em seguida, o autor faz uma afirmação interessante: “Descartes disse: ‘Penso logo existo’. O evolucionista filosófico inverte e transforma o epigrama em negação. Ele diz: ‘Não existo, logo não posso pensar’.”

O autor volta a citar e criticar o escritor fabiano[15] Herbert George Wells (1866-1946), depois cita o filólogo Friedrich Wilhelm Nietzshe (1844-1900)[16] afirmando: “Nietzsche: deu início à ideia absurda de que os homens outrora acharam bom aquilo que hoje chamamos de mau”.[17][18] Esse erro de Chesterton está no contexto da sua defesa da tradição (veja-se a defesa da tradição no Capítulo 3, conforme anteriormente resumi).

Chesterton foi extremamente ofensivo à memória de John Milton (1608-1674), um escritor londrino defensor influente da história da liberdade de expressão e liberdade de imprensa. A seguir, tece duras críticas ao, também escritor, Alfred Tennyson (1809-1892), apenas porque este último defende mudanças constantes danas rotações do mundo.[19] Aduzindo Chersterton que “A mudança perpétua é a rotina mais limitada e pesada em que um homem pode viver”.[20] Diversamente, aqui me coloco como um ser pensante e que existe para dizer que a mudança é essencial. A evolução é o que nos torna melhores.

O autor menciona o pragmatismo para dizer que adere a ele para dizer que “a verdade objetiva aparente não é tudo; há uma necessidade forçosa de crer em coisas que são necessárias à mente humana; (...) precisamente a crença na verdade objetiva. (...) O pragmatismo extremo é tão desumano quanto o determinismo que ele tão fortemente ataca”.[21][22]

George Bernard Shaw (1856-1950)[23] foi objeto de crítica, fazendo nisso uma relação a Wells, afirmando Chesterton que eles não conseguiram fazer uma clara distinção entre vontade e felicidade, visto que a felicidade a pessoa pode testar, enquanto que a vontade que leva a pessoa a atos malucos em busca da felicidade não é um teste e sim o que determina a pratica de tais atos.[24]

O autor critica o livre-pensamento inglês da sua época,[25] voltando a mencionar Bernard Shaw, Nietzsche e H.G.Wells, momento em que passa pelo poeta escocês John Davidson (1857-1909), tudo para se opor aos defensores da vontade, afirmando que humanidade deseja uma moralidade comum uma lei contra a qual Nietzsche e Davidson se rebelam, declarando:

Todos os adoradores da vontade, de Nietzsche ao Sr. Deividson, são, na verdade completamente carentes de toda volição. Não podem desejar, e mal podem pedir e aspirar. Se for exigida uma prova disso, ela pode ser facilmente encontrada no fato de que sempre falam da vontade como algo que se expande e que se liberta. Mas a verdade é precisamente o oposto. Todo ato da vontade é um ato de autolimitação. Nesse sentido, todo ato é um ato de sacrifício. Quando um ato é escolhido, tudo mais é rejeitado.[26]

A vontade e o anarquismo continuam sendo objeto de críticas. A leitura do livro é extremamente oportuna ao momento porque o autor faz severas críticas ao Jacobinos, expondo que o excesso de liberalismo nos aprisiona, asseverando: “Em consequência, o homem moderno revoltado se tornou praticamente inútil para qualquer revolta. Ao rebelar-se contra tudo, perdeu o direito de se rebelar contra coisa”.[27][28]

O extremismo não é bom. Os Jacobinos sentavam à esquerda na Assembleia Nacional da França (a dicotomia esquerda-direita na política nasce daí), o que o autor se manifesta contrário, contra o extremismo. Nisso tem a minha concordância. Eu gostaria de ser mais comedido e menos temperamental do que sou. Sou muito passional e sinto esse mal na minha carne. De todo modo, sou oficialmente idoso e a experiência já me deixa medroso e menos aventureiro, portanto, menos temperamental.

Nesse contexto de combate ao movimento do pensamento-livre, Chesterton volta a mencionar Nietzsche afirmando: “A loucura que o acometeu não foi um acidente. Se Nietzsche não tivesse se tornado um imbecil, o nietzschianismo o teria feito. O pensamento isolado e orgulhoso termina na idiotice. Todo homem cujo coração não se abranda acaba perdendo os miolos”.[29]

O autor prossegue criticando o pensamento nietzschiano e passa pelo estado espiritual de paz das religiões orientais, mencionando o Nirvana, e afirma: “Aqui encerro (louvado seja o Senhor) a primeira e mais tediosa tarefa deste livro – uma revisão grosseira do pensamento recente”.[30] Então Chesterton passa a demonstrar o que ele denomina de uma “visão da vida”, afirmando:

...posso ver a inevitável colisão das filosofias de Schopenhauer,[31] Tostói,[32] Nietzsche e Shaw, tão claramente quanto a inevitável colisão de dois trens poderia ser vista de um balão. Estão todos no campo da vacuidade de um manicômio. Pois a loucura pode ser definida como o uso da atividade mental até o ponto do abandono mental; e eles estão quase lá.

Chesterton continua a sua crítica, incluindo no rol Joseph Ernest Renan (1823-1932),[33] afirmando que Renan desacretida estórias sobrenaturais contrapondo-as com estórias naturais sem qualquer fundamento.[34] E o autor avança na crítica a Nietzsche, Tostói e Renan, aduzindo que as críticas feitas confundem amor pela humanidade e ódio pela desumanidade, manifestada a ira justa de Cristo em Jerusalém. Com tais fundamentos conclui o capítulo afirmando que, não obstante o esforço dos autores modernos tentaram diminuir a imagem de Cristo e se “quedaram atônitos diante da Sua louca magnificência e Sua louca mansidão”. [35]



[1] MESQUITA JÚNIOR, Sidio Rosa de. Relativismo e determinismo em Chesterton e em mim. Publicado em: 27.8.2026. Disponível em: <https://sidiojunior.blogspot.com/2026/08/relativismo-e-determinismo-em.html>. Acesso em: 30.8.2026, às 0h31.

[2] MESQUITA JÚNIOR, Sidio Rosa de. Prefácio e introdução ao livro intitulado Ortodoxia. Publicado em: 30.8.2026. Disponível em: <https://sidiojunior.blogspot.com/2026/08/prefacio-e-introducao-ao-livro.html>. Acesso em: 30.8.2026, às 18h.

[3] MESQUITA JÚNIOR, Sidio Rosa de. Ortodoxia: Capítulo 1: O Lunático. Publicado em: 8.9.2026. Disponível em: <https://sidiojunior.blogspot.com/2026/09/ortodoxia-capitulo-1-o-lunatico.html>. Acesso em: 9.9.2026, às 19h17.

[4] Nota do Tradutor, Murilo Resende Ferreira:

No original aparecem as expressões idiomáticas “put our” e “off colour”, que possuem respectivamente o sentido de mostrar, expelir, apagar um fogo ou extinguir algo, e algo de mau gosto. Chesterton procurava indicar o quanto expressões idiomáticas coloquiais têm força evocativa. Como o trecho é intraduzível, incluímos, com certa liberdade, expressões da nossa língua que guardassem uma vaga proximidade semântica com o original.

[5] CHESTERTON, G. K., Ortodoxia. 2. ed. Campinas: CEDET, 2018. p. 37.

[6] O citado Henry James (1843-1916) foi um escritor estadunidense, naturalizado britânico, com uma vasta publicação que, ao longo dos anos foi ficando densa de sintaxe complexa.

[7] CHESTERTON, G. K., Ortodoxia... Op. cit. p. 38.

[8] Robert Peel Glanville Blatchford (1851-1943) foi um importante jornalista, escritor e político britânico. Inicialmente defensor do ateísmo e do socialismo. Mas, nos primeiros anos da década de 1920, voltou-se ao espiritismo após a morte da sua mulher. Também, nesses anos passou a questionar a paz entre os países “amigos”, tendo defendido o enfrentamento à Alemanha, vislumbrando que a Inglaterra não teria paz com o fim da 1ª Guerra Mundial. Mas, escreveu textos, inicialmente, criticando a postura de Winston Churchill (1874-1965) e, nos últimos dias da sua vida, aduzindo que Churchill se redimiu. A sua história demonstra que foi, um homem preocupado em ver a existência de um mundo mais humano.

[9] CHESTERTON, G. K., Ortodoxia... Op. cit. p. 39.

[10] Ibidem.

[11] Ibidem. p. 40.

[12] Ibidem (sem grifo no original).

[13] Ibidem. p. 41.

[14] Ibidem. p. 43.

[15] Sem reparos, a inteligência artificial do Google esclarece:

O movimento fabiano, ou Socialismo Fabiano, é uma corrente política e ideológica britânica fundada em Londres em 1884 que defende a transição gradual e reformista para o socialismo, opondo-se à revolução violenta.

Disponível em: <https://www.google.com/search?q=movimento+fabiano&oq=movimento+fabia&gs_lcrp=EgZjaHJvbWUqBwgAEAAYgAQyBwgAEAAYgAQyBggBEEUYOTIICAIQABgWGB4yCAgDEAAYFhgeMggIBBAAGBYYHjIHCAUQABjvBTIHCAYQABjvBdIBCDkyNzVqMGo3qAIIsAIB8QUjcIadtlKrCA&sourceid=chrome&source=chrome.ob&ie=UTF-8>. Acesso em: 14.9.2026, às 17h21.

[16] Nietzsche foi graduado apenas em Filologia. No entanto, a academia o considera filósofo. O seu niilismo (do latim nihil, nada), se opõe à moral e à religião, aproximando-se das religiões orientais ao sustentar que a natureza e deuses não se preocupam com os humanos. Em 1869, foi nomeado Professor de Filologia Clássica na Universidade de Basileia. No entanto, 10 anos depois abandonou o cargo devido a problemas de saúde. No dia 3.1.1889, viu um cavalo sendo açoitado na Piazza Carlo Alberto, em Turim, norte da Itália. Então, tentou proteger o animal abraçando o seu pescoço e caiu, sofrendo um colapso mental. Até a sua morte, ele ficou sob os cuidados da irmã, tendo enviado uns breves escritos a amigos, conhecidos como “cartas da loucura”, nas quais assinava como Dionisio.

[17] CHESTERTON, G. K., Ortodoxia... Op. cit. p. 44.

[18] A crítica é equivocada porque as culturas devem naturalmente evoluir. Nietzsche não foi propriamente filósofo. Porém, os filósofos atribuem grande valor a ele para o surgimento e consolidação do existencialismo filosófico. De qualquer forma, para Chesterton, defensor da tradição, jamais Nietzsche poderia estar correto.

[19] O autor cita alguns escritores britânicos do seu tempo, no caso, um pouco anterior. No campo de ideologia, Tennyson é criticado por sua vasta publicação de poesias. Porém, “poesia é poética ou composição em verso”. Confesso não conhecer o pensamento de Tennyson, razão de adotar por corretas as afirmações de Chesterton.

[20] CHESTERTON, G. K., Ortodoxia... Op. cit. p. 45.

[21] Ibidem. p. 45.

[22] O determinismo foi uma corrente filosófica e científica que ganhou força no Século XIX, afirmando que tudo que ocorre na natureza tem uma causa. Por outro lado, o pragmatismo surgiu nos Estados Unidos (no Metaphysical Club, um grupo de discussão formado na década de 1870 em Cambridge, Massachusetts), defendendo que o valor, o significado e a verdade de uma ideia devem ser medidos pelos seus resultados práticos e pela sua utilidade na resolução de problemas reais.

[23] No momento em que Chesterton escreveu o livro, em 1908, Shaw (que foi longevo, viveu 94 anos), estava desiludido com o movimento fabiano. Ele decidiu apoiar Herbert George Wells (1866-1946), um escritor que se juntou à Sociedade Fabiana em 1903, porque entendia que a Sociedade Fabiana necessitava de uma liderança. Wells foi um futurista, tendo feito a previsão do advento de aeronaves, tanques, viagens espaciais armas nucleares etc. A relação entre Shaw e Wells está nesse momento em que os dois pertenciam e tinham liderança na Sociedade Fabiana. A crítica de Chesterton só pode ter lugar no livro quando se pensa sobre a sua rejeição ao pensamento fabiano.

[24] CHESTERTON, G. K., Ortodoxia... Op. cit. p. 49.

[25] O livre-pensamento moderno e o liberalismo nasceram na Inglaterra, a partir das transformações políticas e religiosas do Século XVII. As Revoluções Puritana e Gloriosa (Século XVIII) romperam o absolutismo do rei, impondo o parlamentarismo. O próprio termo livre-pensador surgiu na Inglaterra nesse período para designar quem questionava dogmas da Igreja  e a interpretação literal da Bíblia.

John Locke (1632-1704), filósofo e Médico inglês, conhecido como o “pai do liberalismo”, foi um dos pensadores mais influentes do iluminismo. Também, Anthony Collins (1676-1729) e Willian Molyneux (1656-1698) combateram o controle ideológico do clero no final do Século XVII. Por fim, Adam Smith (1723-1790), economista e filósofo escocês, o “pai do capitalismo”, desenvolveu o liberalismo econômico no Século XVIII.

[26] CHESTERTON, G. K., Ortodoxia... Op. cit. p. 50.

[27] CHESTERTON, G. K., Ordoxia. 2. ed. Campinas: CEDET, 2018. p. 53.

[28] Acerca dos Jacobinos, a inteligência artificial do Google sintetiza:

O movimento jacobino foi um grupo político radical de esquerda que atuou durante a [Revolução Francesa], defendendo o fim da monarquia, a república e maior igualdade social. O nome veio do [Clube Jacobino], que se reunia em um antigo convento em Paris.

[29] CHESTERTON, G. K., Ortodoxia... Op. cit. p. 53.

[30] Ibidem. p. 54.

[31] Arthur Schopenhauer (1788-1860), um pensador alemão do pessimismo filosófico, cujos escritos sobre estética, moralidade e psicologia influenciaram muitos pensadores e artistas ocidentais. No seu pessimismo, Schopenhauer acreditava que não existe desgraça que não possa ser piorada. Com efeito seu pensamento foi construído no sentido de que vivemos no pior dos mundos possíveis, pois a dor e a desgraça geral não são acidentes de percurso, mas sim a regra e a essência da existência humana.

[32] Liev Tolstói (1828-1910), foi um dos mais influentes escritores da literatura moderna. Seus escritos são classificados como ficção realista. Talvez Chesterton tenha feito referência aos livros intitulados A Confissão (1882) e O Reino de Deus está Dentro de Vós (1894), visto que o primeiro deu a Tostói a categoria de fervoroso anarquista cristão e pacifista e o segundo evidencia suas ideias sobre a resistência não violenta.

[33] Ernest Renan foi escritor, filósofo, teólogo e historiador francês. Ele lançou o livro intitulado Vida de Jesus (mencionado por Chesterton) no ano de 1862, no satirizava os feitos sobrenaturais de Jesus. Ele denominava Jesus de “homem incomparável”, rejeitando toda noção de mistério na vida do Jesus histórico.

[34] CHESTERTON, G. K., Ortodoxia... Op. cit. p. 55.

[35] Ibidem. p. 56.