No
dia 3.4.2017, em palestra no Clube Hebraica do Rio de Janeiro, um monstro que
estava sendo criado pela “direita”, o Sr. Jair Bolsonaro afirmou: “Foram quatro
homens, aí no quinto eu dei uma fraquejada e veio uma mulher”.[1]
Essa
é a família que desejamos?
Não
sou cristão. Caso eu tivesse um Deus para chamar de meu, gostaria que ele fosse
de todas as pessoas não somente de uma parte da sociedade global. Espero que
este texto não chegue à filha vítima de uma conduta tão sectária quanto essa, a
qual me faz questionar:
–
Deus é de todas as pessoas ou apenas dos homens (do sexo masculino)?
As
pessoas que se dizem "de direita", especialmente no Brasil, se
proclamam conservadoras e religiosas. Aqui no Brasil, como na maioria dos
países ocidentais, prevalece o cristianismo como religião.
Talvez
esperemos que uma acompanhante de luxo seja preservada porque “mudou”. Ela se
transformou de uma cuidadora de idoso que estava longe, quando ele surtou e
tentou romper uma tornozeleira eletrônica. Mas, é uma mulher de família,
convertida e batizada em uma igreja protestante, com a filha de uma
“fraquejada”.
Um
homem viril, com grande passado de atleta, estar diante do caos familiar, no
qual ele “fugiu” da responsabilidade para ir à Flórida, EUA, enquanto os seus
apoiadores executavam uma um crime de golpe de estado, ensinou o Filho 01 a
fugir aos EUA quando prestes a ser preso, isso em face de muitos crimes
evidentes.
Já
escrevi em vários lugares que Hegel me ensinou que a pena dignifica o homem
porque evidencia ser ele capaz de se responsabilizar pelos seus atos. Mais
ainda, digo eu: a impunidade torna o homem covarde, sempre buscará um artifício
para fugir à responsabilidade pelos seus erros!
Pergunto-me:
(a)
a virilidade é contra as mulheres?
(b)
qual é a culpa que aquela menina tem de ser filha de um machista?
(c)
qual é a virilidade de um homem que foge de suas responsabilidades?
Respondo:
não há nenhuma virilidade em ser sexista contra a própria filha e, também,
contra ser responsabilizado por seus crimes. O autor da afirmação em comento
evidenciou em diversos momentos uma certa misoginia.
No
vernáculo, fascismo significa:
Nome dado ao sistema
político de Benito Mussolini (1883-1945), baseado no fascio (feixe) de
varas dos antigos lictores romanos.
Falo
do fascismo pátrio porque aqui tivermos a Ação Integralista Brasileira, sobre a
qual o Gemini (IA do Gooble) esclarece:
A Ação
Integralista Brasileira (AIB) foi um movimento político de extrema-direita
fundado no Brasil em 7 de outubro de 1932 por Plínio Salgado.
Principais
características:
>> Inspiração
ideológica:
Baseado no fascismo italiano, no integralismo lusitano e na Doutrina Social da
Igreja Católica.
>> Lema: "Deus,
Pátria e Família".
>> Símbolos e
uniformes:
Usavam camisas verdes (sendo chamados de "camisas-verdes" ou
"galinhas-verdes" por opositores), a letra grega Sigma (Σ) como
símbolo e a saudação "Anauê".
>> Organização: Foi o primeiro
partido político de massas de âmbito nacional no Brasil, reunindo entre 500 mil
e 1 milhão de adeptos na década de 1930.
>> Fim do
movimento:
O partido foi extinto em 1937 com a instauração do Estado Novo por Getúlio
Vargas. Após uma tentativa de golpe fracassada (o Levante Integralista) em
1938, o movimento perdeu força política.[2]
O
fascismo pode até ser negado pelos políticos da suposta direita
brasileira.[3]
Porém, dele está próxima, até porque o bolsonarismo adotou o lema “Deus, Pátria
e Família”. Mais tarde, tentando fugir ao estigma de ser fascista, inseriu a
palavra “liberdade” a esse lema.
Tinha
que escrever este texto porque me considero uma pessoa em evolução e espero que
as pessoas saibam que não podemos nos espelhar em tais modelos de condutas.
Talvez até alguém venha a me acusar de difamação por estar tratando de um fato
verdadeiro. No entanto, desde já esclareço que não estou movido pelo animus
injuriandi vel difamandi e sim pelo desejo de esclarecer que as condutas em
si memas são graves e que não merecem ser replicadas. Não podemos admitir tais
espécies de condutas como normais.
Espero
ter deixado claro que as hipocrisias da “família tradicional brasileira” e da
democracia tendente ao totalitarismo e próxima ao golpe de Estado, bem como a
visão enviesada do cristianismo e do Deus bíblico, me fazem rejeitar o fascismo
brasileiro.
[1] Sobre as controvérsias sobre o
assunto, veja-se: MACIA, Vinícius. Justiça reabre caso de filósofo que disse
que Laura Bolsonaro tem “quatro irmãos neonazistas”. Gazeta do Povo,
19.10.2026, às 8h15. Disponível em: <https://www.gazetadopovo.com.br/republica/justica-reabre-caso-de-filosofo-que-disse-que-laura-bolsonaro-tem-quatro-irmaos-neonazistas/>.
Acesso em: 2.11.2026, às 12h05.
[2] Disponível em: <https://www.google.com/search?q=fascismo&oq=fascismo&gs_lcrp=EgZjaHJvbWUyBggAEEUYOTINCAEQABiDARixAxiABDIHCAIQABiABDIHCAMQABiABDIVCAQQABhDGIMBGLEDGMcDGIAEGIoFMg0IBRAAGIMBGLEDGIAEMgcIBhAAGIAEMgcIBxAAGIAEMgoICBAAGMcDGIAEMgcICRAAGI8C0gEJMTEzMTRqMGo5qAIAsAIA&sourceid=chrome&source=chrome.ob&ie=UTF-8>.
Acesso em: 2.11.2026, às 11h20.
[3] Costumo dizer que a dicotomia
esquerda-direita da política é mal apreendida na atualidade porque a vejo de
forma econômica em que o liberalismo, sem intervenção estatal, é de direita.
Toda forma de intervencionismo no mercado, ao contrário, é de esquerda. Aqui, a
suposta direita é próxima do totalitarismo e até da ditadura militar.