quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Ortodoxia: Capítulo 2: O Suicídio do Pensamento

Escrevi três textos,[1][2][3] visto que estou resumindo o livro Ortodoxia, de 1908, cujo autor é Gilbert Keith Chesterton (1874-1936). Espero que o leitor leia a íntegra do livro, cuja leitura é extremamente agradável. Não é atoa que é um clássico.

O capítulo se inicia assim:

O LINGUAJAR DAS RUAS não é somente flexível e sutil: uma figura de linguagem pode frequentemente se enfiar num buraco pequeno demais para uma definição. Expressões como “por as cartas na mesa” ou fazer nas coxas”[4] poderiam ser cunhadas pelo Sr. Henry James em uma busca desesperada pela precisão verbal.[5][6]

Chesterton passa pelo adágio popular de ter um homem “o seu coração no lugar certo” para dizer que o mundo do seu tempo era bom, em certos lugares exageradamente bom, mas que o sistema religioso foi estilhaçado pelo Cristianismo da reforma e declara que “...O mundo moderno é cheio antigas virtudes cristãs que elouqueceram. E enlouqueceram porque foram isoladas umas das outras, vagando sozinhas”.[7]

Chesterton menciona Blatchford,[8] fazendo severas críticas e paradoxalmente o elogiando. Continua o paradoxo elogiando o inquisidor Tomás de Torquemada (1420-1498) e criticando o escritor libertário Émile Zola (1840-1902), presumivelmente assassinado por ter escrito uma carta aberta intitulada J’accuse (Eu Acuso), publicada em 13.1.1898, acusando o governo francês de antissemitismo por julgar e condenar o Capitão Alfred Dreyfus por traição. E, sobre esse paralelo feito diz: “Mas, um caso bem mais significativo do que este da verdade e da compaixão pode ser descoberto no incrível processo de deslocamento da humildade”.[9]

O autor elogia a humildade expondo:

...se tornou evidente que se um homem quer tornar seu mundo grande, deve sempre tornar a se mesmo pequeno. (...) É impossível apreciar qualquer coisa sem a humildade – até mesmo o orgulho.[10]

Chesterton critica a humildade do seu tempo expondo:

Pois a antiga humildade tornava um homem cético sobre seus esforços, o que poderia fazer com que se esforçasse mais.  Mas, a nova humildade torna um homem cético sobre seus objetivos, o que o levará a abandonar completamente todo esforço.[11]

Sobre o objetivo do Capítulo 1, o autor expõe:

O capítulo anterior se preocupou com que um fato observável que todo perigo de morbidez advém da razão e não da imaginação. Não tinha a intenção de atacar a autoridade da razão, mas sim de defendê-la em última instância. E ela precisa ser defendida, já que todo mundo moderno está em guerra contra a razão, e a torre já vacila.[12]

Nesse contexto de defesa da razão, Chesterton defende que a austeridade dos antigos se baseava na razão. Também, as cruzadas pois se tudo poderia ser questionado, até a própria razão seria colocada em xeque. Em seguida, declara que a autoridade religiosa foi opressiva e irracional, assim como todo sistema legal, especialmente o da época da edição do livro, anos de 1907/1908, insensível e repleto de uma cruel apatia.[13]

O autor afirma: “...Quando a religião se vai, a razão está prestes a se esvair. Pois ambas são fontes primárias e autoritárias”.[14] Curiosamente, no Brasil, temos o equivocado adágio popular que “não se discute política, religião e futebol”. Política pela própria natureza da polis (cidade), deve ser discutida porque é a sociedade em sua governança, a religião pressupõe fé e o futebol paixão. De todo modo, digo, precisam ser discutidos, exigindo civilidade nos debates, uma vez que a intolerância e a paixão doentia geram conflitos e violência. Entretanto, conforme o autor afirma, a religião é autoritária, mitigando a possibilidade de discussão.

Em seguida, o autor faz uma afirmação interessante: “Descartes disse: ‘Penso logo existo’. O evolucionista filosófico inverte e transforma o epigrama em negação. Ele diz: ‘Não existo, logo não posso pensar’.”

O autor volta a citar e criticar o escritor fabiano[15] Herbert George Wells (1866-1946), depois cita o filólogo Friedrich Wilhelm Nietzshe (1844-1900)[16] afirmando: “Nietzsche: deu início à ideia absurda de que os homens outrora acharam bom aquilo que hoje chamamos de mau”.[17][18] Esse erro de Chesterton está no contexto da sua defesa da tradição (veja-se a defesa da tradição no Capítulo 3, conforme anteriormente resumi).

Chesterton foi extremamente ofensivo à memória de John Milton (1608-1674), um escritor londrino defensor influente da história da liberdade de expressão e liberdade de imprensa. A seguir, tece duras críticas ao, também escritor, Alfred Tennyson (1809-1892), apenas porque este último defende mudanças constantes danas rotações do mundo.[19] Aduzindo Chersterton que “A mudança perpétua é a rotina mais limitada e pesada em que um homem pode viver”.[20] Diversamente, aqui me coloco como um ser pensante e que existe para dizer que a mudança é essencial. A evolução é o que nos torna melhores.

O autor menciona o pragmatismo para dizer que adere a ele para dizer que “a verdade objetiva aparente não é tudo; há uma necessidade forçosa de crer em coisas que são necessárias à mente humana; (...) precisamente a crença na verdade objetiva. (...) O pragmatismo extremo é tão desumano quanto o determinismo que ele tão fortemente ataca”.[21][22]

George Bernard Shaw (1856-1950)[23] foi objeto de crítica, fazendo nisso uma relação a Wells, afirmando Chesterton que eles não conseguiram fazer uma clara distinção entre vontade e felicidade, visto que a felicidade a pessoa pode testar, enquanto que a vontade que leva a pessoa a atos malucos em busca da felicidade não é um teste e sim o que determina a pratica de tais atos.[24]

O autor critica o livre-pensamento inglês da sua época,[25] voltando a mencionar Bernard Shaw, Nietzsche e H.G.Wells, momento em que passa pelo poeta escocês John Davidson (1857-1909), tudo para se opor aos defensores da vontade, afirmando que humanidade deseja uma moralidade comum uma lei contra a qual Nietzsche e Davidson se rebelam, declarando:

Todos os adoradores da vontade, de Nietzsche ao Sr. Deividson, são, na verdade completamente carentes de toda volição. Não podem desejar, e mal podem pedir e aspirar. Se for exigida uma prova disso, ela pode ser facilmente encontrada no fato de que sempre falam da vontade como algo que se expande e que se liberta. Mas a verdade é precisamente o oposto. Todo ato da vontade é um ato de autolimitação. Nesse sentido, todo ato é um ato de sacrifício. Quando um ato é escolhido, tudo mais é rejeitado.[26]

A vontade e o anarquismo continuam sendo objeto de críticas. A leitura do livro é extremamente oportuna ao momento porque o autor faz severas críticas ao Jacobinos, expondo que o excesso de liberalismo nos aprisiona, asseverando: “Em consequência, o homem moderno revoltado se tornou praticamente inútil para qualquer revolta. Ao rebelar-se contra tudo, perdeu o direito de se rebelar contra coisa”.[27][28]

O extremismo não é bom. Os Jacobinos sentavam à esquerda na Assembleia Nacional da França (a dicotomia esquerda-direita na política nasce daí), o que o autor se manifesta contrário, contra o extremismo. Nisso tem a minha concordância. Eu gostaria de ser mais comedido e menos temperamental do que sou. Sou muito passional e sinto esse mal na minha carne. De todo modo, sou oficialmente idoso e a experiência já me deixa medroso e menos aventureiro, portanto, menos temperamental.

Nesse contexto de combate ao movimento do pensamento-livre, Chesterton volta a mencionar Nietzsche afirmando: “A loucura que o acometeu não foi um acidente. Se Nietzsche não tivesse se tornado um imbecil, o nietzschianismo o teria feito. O pensamento isolado e orgulhoso termina na idiotice. Todo homem cujo coração não se abranda acaba perdendo os miolos”.[29]

O autor prossegue criticando o pensamento nietzschiano e passa pelo estado espiritual de paz das religiões orientais, mencionando o Nirvana, e afirma: “Aqui encerro (louvado seja o Senhor) a primeira e mais tediosa tarefa deste livro – uma revisão grosseira do pensamento recente”.[30] Então Chesterton passa a demonstrar o que ele denomina de uma “visão da vida”, afirmando:

...posso ver a inevitável colisão das filosofias de Schopenhauer,[31] Tostói,[32] Nietzsche e Shaw, tão claramente quanto a inevitável colisão de dois trens poderia ser vista de um balão. Estão todos no campo da vacuidade de um manicômio. Pois a loucura pode ser definida como o uso da atividade mental até o ponto do abandono mental; e eles estão quase lá.

Chesterton continua a sua crítica, incluindo no rol Joseph Ernest Renan (1823-1932),[33] afirmando que Renan desacretida estórias sobrenaturais contrapondo-as com estórias naturais sem qualquer fundamento.[34] E o autor avança na crítica a Nietzsche, Tostói e Renan, aduzindo que as críticas feitas confundem amor pela humanidade e ódio pela desumanidade, manifestada a ira justa de Cristo em Jerusalém. Com tais fundamentos conclui o capítulo afirmando que, não obstante o esforço dos autores modernos tentaram diminuir a imagem de Cristo e se “quedaram atônitos diante da Sua louca magnificência e Sua louca mansidão”. [35]



[1] MESQUITA JÚNIOR, Sidio Rosa de. Relativismo e determinismo em Chesterton e em mim. Publicado em: 27.8.2026. Disponível em: <https://sidiojunior.blogspot.com/2026/08/relativismo-e-determinismo-em.html>. Acesso em: 30.8.2026, às 0h31.

[2] MESQUITA JÚNIOR, Sidio Rosa de. Prefácio e introdução ao livro intitulado Ortodoxia. Publicado em: 30.8.2026. Disponível em: <https://sidiojunior.blogspot.com/2026/08/prefacio-e-introducao-ao-livro.html>. Acesso em: 30.8.2026, às 18h.

[3] MESQUITA JÚNIOR, Sidio Rosa de. Ortodoxia: Capítulo 1: O Lunático. Publicado em: 8.9.2026. Disponível em: <https://sidiojunior.blogspot.com/2026/09/ortodoxia-capitulo-1-o-lunatico.html>. Acesso em: 9.9.2026, às 19h17.

[4] Nota do Tradutor, Murilo Resende Ferreira:

No original aparecem as expressões idiomáticas “put our” e “off colour”, que possuem respectivamente o sentido de mostrar, expelir, apagar um fogo ou extinguir algo, e algo de mau gosto. Chesterton procurava indicar o quanto expressões idiomáticas coloquiais têm força evocativa. Como o trecho é intraduzível, incluímos, com certa liberdade, expressões da nossa língua que guardassem uma vaga proximidade semântica com o original.

[5] CHESTERTON, G. K., Ortodoxia. 2. ed. Campinas: CEDET, 2018. p. 37.

[6] O citado Henry James (1843-1916) foi um escritor estadunidense, naturalizado britânico, com uma vasta publicação que, ao longo dos anos foi ficando densa de sintaxe complexa.

[7] CHESTERTON, G. K., Ortodoxia... Op. cit. p. 38.

[8] Robert Peel Glanville Blatchford (1851-1943) foi um importante jornalista, escritor e político britânico. Inicialmente defensor do ateísmo e do socialismo. Mas, nos primeiros anos da década de 1920, voltou-se ao espiritismo após a morte da sua mulher. Também, nesses anos passou a questionar a paz entre os países “amigos”, tendo defendido o enfrentamento à Alemanha, vislumbrando que a Inglaterra não teria paz com o fim da 1ª Guerra Mundial. Mas, escreveu textos, inicialmente, criticando a postura de Winston Churchill (1874-1965) e, nos últimos dias da sua vida, aduzindo que Churchill se redimiu. A sua história demonstra que foi, um homem preocupado em ver a existência de um mundo mais humano.

[9] CHESTERTON, G. K., Ortodoxia... Op. cit. p. 39.

[10] Ibidem.

[11] Ibidem. p. 40.

[12] Ibidem (sem grifo no original).

[13] Ibidem. p. 41.

[14] Ibidem. p. 43.

[15] Sem reparos, a inteligência artificial do Google esclarece:

O movimento fabiano, ou Socialismo Fabiano, é uma corrente política e ideológica britânica fundada em Londres em 1884 que defende a transição gradual e reformista para o socialismo, opondo-se à revolução violenta.

Disponível em: <https://www.google.com/search?q=movimento+fabiano&oq=movimento+fabia&gs_lcrp=EgZjaHJvbWUqBwgAEAAYgAQyBwgAEAAYgAQyBggBEEUYOTIICAIQABgWGB4yCAgDEAAYFhgeMggIBBAAGBYYHjIHCAUQABjvBTIHCAYQABjvBdIBCDkyNzVqMGo3qAIIsAIB8QUjcIadtlKrCA&sourceid=chrome&source=chrome.ob&ie=UTF-8>. Acesso em: 14.9.2026, às 17h21.

[16] Nietzsche foi graduado apenas em Filologia. No entanto, a academia o considera filósofo. O seu niilismo (do latim nihil, nada), se opõe à moral e à religião, aproximando-se das religiões orientais ao sustentar que a natureza e deuses não se preocupam com os humanos. Em 1869, foi nomeado Professor de Filologia Clássica na Universidade de Basileia. No entanto, 10 anos depois abandonou o cargo devido a problemas de saúde. No dia 3.1.1889, viu um cavalo sendo açoitado na Piazza Carlo Alberto, em Turim, norte da Itália. Então, tentou proteger o animal abraçando o seu pescoço e caiu, sofrendo um colapso mental. Até a sua morte, ele ficou sob os cuidados da irmã, tendo enviado uns breves escritos a amigos, conhecidos como “cartas da loucura”, nas quais assinava como Dionisio.

[17] CHESTERTON, G. K., Ortodoxia... Op. cit. p. 44.

[18] A crítica é equivocada porque as culturas devem naturalmente evoluir. Nietzsche não foi propriamente filósofo. Porém, os filósofos atribuem grande valor a ele para o surgimento e consolidação do existencialismo filosófico. De qualquer forma, para Chesterton, defensor da tradição, jamais Nietzsche poderia estar correto.

[19] O autor cita alguns escritores britânicos do seu tempo, no caso, um pouco anterior. No campo de ideologia, Tennyson é criticado por sua vasta publicação de poesias. Porém, “poesia é poética ou composição em verso”. Confesso não conhecer o pensamento de Tennyson, razão de adotar por corretas as afirmações de Chesterton.

[20] CHESTERTON, G. K., Ortodoxia... Op. cit. p. 45.

[21] Ibidem. p. 45.

[22] O determinismo foi uma corrente filosófica e científica que ganhou força no Século XIX, afirmando que tudo que ocorre na natureza tem uma causa. Por outro lado, o pragmatismo surgiu nos Estados Unidos (no Metaphysical Club, um grupo de discussão formado na década de 1870 em Cambridge, Massachusetts), defendendo que o valor, o significado e a verdade de uma ideia devem ser medidos pelos seus resultados práticos e pela sua utilidade na resolução de problemas reais.

[23] No momento em que Chesterton escreveu o livro, em 1908, Shaw (que foi longevo, viveu 94 anos), estava desiludido com o movimento fabiano. Ele decidiu apoiar Herbert George Wells (1866-1946), um escritor que se juntou à Sociedade Fabiana em 1903, porque entendia que a Sociedade Fabiana necessitava de uma liderança. Wells foi um futurista, tendo feito a previsão do advento de aeronaves, tanques, viagens espaciais armas nucleares etc. A relação entre Shaw e Wells está nesse momento em que os dois pertenciam e tinham liderança na Sociedade Fabiana. A crítica de Chesterton só pode ter lugar no livro quando se pensa sobre a sua rejeição ao pensamento fabiano.

[24] CHESTERTON, G. K., Ortodoxia... Op. cit. p. 49.

[25] O livre-pensamento moderno e o liberalismo nasceram na Inglaterra, a partir das transformações políticas e religiosas do Século XVII. As Revoluções Puritana e Gloriosa (Século XVIII) romperam o absolutismo do rei, impondo o parlamentarismo. O próprio termo livre-pensador surgiu na Inglaterra nesse período para designar quem questionava dogmas da Igreja  e a interpretação literal da Bíblia.

John Locke (1632-1704), filósofo e Médico inglês, conhecido como o “pai do liberalismo”, foi um dos pensadores mais influentes do iluminismo. Também, Anthony Collins (1676-1729) e Willian Molyneux (1656-1698) combateram o controle ideológico do clero no final do Século XVII. Por fim, Adam Smith (1723-1790), economista e filósofo escocês, o “pai do capitalismo”, desenvolveu o liberalismo econômico no Século XVIII.

[26] CHESTERTON, G. K., Ortodoxia... Op. cit. p. 50.

[27] CHESTERTON, G. K., Ordoxia. 2. ed. Campinas: CEDET, 2018. p. 53.

[28] Acerca dos Jacobinos, a inteligência artificial do Google sintetiza:

O movimento jacobino foi um grupo político radical de esquerda que atuou durante a [Revolução Francesa], defendendo o fim da monarquia, a república e maior igualdade social. O nome veio do [Clube Jacobino], que se reunia em um antigo convento em Paris.

[29] CHESTERTON, G. K., Ortodoxia... Op. cit. p. 53.

[30] Ibidem. p. 54.

[31] Arthur Schopenhauer (1788-1860), um pensador alemão do pessimismo filosófico, cujos escritos sobre estética, moralidade e psicologia influenciaram muitos pensadores e artistas ocidentais. No seu pessimismo, Schopenhauer acreditava que não existe desgraça que não possa ser piorada. Com efeito seu pensamento foi construído no sentido de que vivemos no pior dos mundos possíveis, pois a dor e a desgraça geral não são acidentes de percurso, mas sim a regra e a essência da existência humana.

[32] Liev Tolstói (1828-1910), foi um dos mais influentes escritores da literatura moderna. Seus escritos são classificados como ficção realista. Talvez Chesterton tenha feito referência aos livros intitulados A Confissão (1882) e O Reino de Deus está Dentro de Vós (1894), visto que o primeiro deu a Tostói a categoria de fervoroso anarquista cristão e pacifista e o segundo evidencia suas ideias sobre a resistência não violenta.

[33] Ernest Renan foi escritor, filósofo, teólogo e historiador francês. Ele lançou o livro intitulado Vida de Jesus (mencionado por Chesterton) no ano de 1862, no satirizava os feitos sobrenaturais de Jesus. Ele denominava Jesus de “homem incomparável”, rejeitando toda noção de mistério na vida do Jesus histórico.

[34] CHESTERTON, G. K., Ortodoxia... Op. cit. p. 55.

[35] Ibidem. p. 56.