Há
poucos dias, após um período de repouso, em recuperação de uma prostatectomia
radical robótica, devido a um adenocarcinoma [GLEASON 7 (3+4)], percorri, de
bicicleta, 15.990 metros. Então, cheguei em casa todo feliz pelo grande feito.
No
almoço daquele dia, 10.10.2026, com a mulher e um filho à mesa, comentei sobre
a relatividade da felicidade. Eu fiquei feliz porque consegui andar cerca de
16 km de bicicleta em menos de uma hora e imediatamente me lembrei de dois
maratonistas, Sebastian Sawe (Quênia) e Yomif Kelelcha (Etiópia), que, em
26.4.2026, terminaram a Maratona de Londres (42.195 metros) em menos de duas
horas.
O
primeiro terminou a maratona em 1h59min30s e o segundo em 1h59min41s. Assim,
eles caso completem 21 km, a pé, em mais de uma hora ficarão muitos tristes.
Eu
sempre me pego pensando acerca da vida e acabo refutando, na maioria das vezes,
o determinismo e o criacionismo bíblico. O determinista fica vinculado ao
causalismo, tudo se resolve em uma relação de causa e efeito. Chego à conclusão
que sou relativista. Mas, no meu relativismo, até ele próprio é relativo, ou
seja, pode ser que tudo tenha uma causa primeira e se desenvolva em uma complexa
teia causal.
É
nesse contexto que insiro a justiça e a felicidade. Elas são relativas e têm
forte vocação valorativa. Há sempre uma carga valorativa na felicidade e o que faz
uma pessoa feliz ou considerar justo o resultado de determinado ato. Com isso,
aceito críticas à minha posição e continuarei feliz por ter completado 15.990
metros, de bicicleta, em menos de uma hora.
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