domingo, 26 de julho de 2026

Acerca da relatividade das razões para a felicidade

 

Há poucos dias, após um período de repouso, em recuperação de uma prostatectomia radical robótica, devido a um adenocarcinoma [GLEASON 7 (3+4)], percorri, de bicicleta, 15.990 metros. Então, cheguei em casa todo feliz pelo grande feito.

No almoço daquele dia, 10.10.2026, com a mulher e um filho à mesa, comentei sobre a relatividade da felicidade. Eu fiquei feliz porque consegui andar cerca de 16 km de bicicleta em menos de uma hora e imediatamente me lembrei de dois maratonistas, Sebastian Sawe (Quênia) e Yomif Kelelcha (Etiópia), que, em 26.4.2026, terminaram a Maratona de Londres (42.195 metros) em menos de duas horas.

O primeiro terminou a maratona em 1h59min30s e o segundo em 1h59min41s. Assim, eles caso completem 21 km, a pé, em mais de uma hora ficarão muitos tristes. Pior, imaginem, Yomif Kelelcha bateu o recorde mundial e chegou em segundo lugar. Será que ficou triste?

Eu sempre me pego pensando acerca da vida e acabo refutando, na maioria das vezes, o determinismo e o criacionismo bíblico. O determinista fica vinculado ao causalismo, tudo se resolve em uma relação de causa e efeito. Chego à conclusão que sou relativista. Mas, no meu relativismo, até ele próprio é relativo, ou seja, pode ser que tudo tenha uma causa primeira e se desenvolva em uma complexa teia causal.

É nesse contexto que insiro a justiça e a felicidade. Elas são relativas e têm forte vocação valorativa. Há sempre uma carga valorativa na felicidade e o que faz uma pessoa feliz ou considerar justo o resultado de determinado ato. Com isso, aceito críticas à minha posição e continuarei feliz por ter completado 15.990 metros, de bicicleta, em menos de uma hora.

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