Li
recentemente um artigo[1]
que me fez pensar e rever um pouco daquilo que já estudei e incorporei ao longo
da minha história, isso acerca da felicidade. Considero o artigo muito bem
escrito e traz uma mensagem chocante:
– Finais
felizes são um veneno cultural.
– “Felizes
para sempre” é uma armadilha fatal.
Fui educado
em uma família cristã, de uma igreja extremamente conservadora, quase judia,
que guarda o sábado como o Dia do Senhor. Nessa criação, nascemos para a vida
eterna e plenamente feliz, destinação rompida pelo pecado original de Adão e
Eva. O sacrifício de cristo e o seu retorno triunfal, no entanto, trará
novamente a felicidade para sempre aos escolhidos, aos justos que guardarem os
seus mandamentos. Diversamente, acredito em nada disso.
Ao longo dos meus
estudos fiz questão de distinguir o prazer, de Epicuro – o filósofo do
prazer -, do prazer do hedonismo (do grego hedone), um
substantivo masculino, um antigo sistema filosófico que estabelece o prazer
como o objetivo principal de vida.[2]
Não sou defensor do hedonismo e, consultando a inteligência artificial do Google,
inseri “sidio rosa” “hedonismo”, da sua resposta extraio:
Análise
Criminológica/Psicológica: O autor, em
suas obras sobre execução criminal, aborda características psicológicas e
motivacionais de criminosos, incluindo o hedonismo — entendido como a
busca impulsiva pelo prazer imediato e a gratificação emocional — como um fator
impulsionador da criminalidade.[3]
Há muitos anos que li que os crimes patrimoniais eram menores na Índia do que no Brasil porque a cultura de estrutura de castas, não permitia ao povo pensar em crescer patrimonialmente por meio de riquezas ilícitas. Isso não se aplicaria ao Brasil, sendo a nossa cultura capitalista fomentadora da prática de tais crimes. Essa visão brasileira encontra apoio na perspectiva hedonista, mas que esbarra em freios morais e até neurológicos, que nos fazem chegar à adaptação nesse novo estágio.
Nesse contexto de
que o “felizes para sempre” é uma falácia da chegada, traduzida nos
filmes das décadas de 1980 e 1990, nos quais seus finais eram felizes,
apresentando a felicidade como destino, quando ela “é um estado transitório
governado pelo próprio cérebro”. Por isso, a falácia da chegada, que se
baseia na crença de que alcançar um objetivo trará felicidade duradoura,
constituiu-se em um veneno cultural.
Termos uma grande
vitória trará felicidade momentânea. Porém, logo haverá a adaptação
hedônica (esteira hedônica), teoria que afirma que os seres humanos
tendem a retornar rapidamente ao seu nível base de felicidade após eventos
positivos ou negativos. Assim, a esteira hedônica é a “cilada” ou o “resultado
prático” de uma busca desenfreada pelos prazeres materiais.
Pretendo continuar
estudando a felicidade e, por enquanto, me contento com a ideia de que a
felicidade plena, sem dor, para sempre (hedonismo) nos leva à cilada da adaptação
hedônica ou esteira hedônica.
[1] MAINENTI,
Fabrício. Segundo psicólogos, pessoas que cresceram nas décadas de 80 e 90
desenvolveram a falácia da chegada devido aos finais felizes: Um professor de
Harvard especializado em psicologia positiva acredita que finais felizes são um
veneno cultural: Nós nos acostumamos com essa ideia, mas nossos cérebros
funcionam de maneira diferente. Terra: Educação, 4.2.2026, às 9h13. Disponível
em: <https://www.terra.com.br/noticias/educacao/carreira/segundo-psicologos-pessoas-que-cresceram-nas-decadas-de-80-e-90-desenvolveram-a-falacia-da-chegada-devido-aos-finais-felizes,530793e511668b26bd0ba952d9b903f712g4jk5h.html>.
Acesso em: 8.2.2026, às 14h15.
[2]
MESQUITA JÚNIOR, Sidio Rosa de. Resenha, com opiniões pessoais, da “Carta Sobre
a Felicidade (a Meneceu)”, de Epicuro. Brasília: Assuntos Jurídicos e
Filosóficos, 31.12.2017. Disponível em: <https://sidiojunior.blogspot.com/2017/12/>.
Acesso em: 8.2.2026, às 15h33.
[3] GOOGLE.
Visão geral criada por IA. Disponível em: <https://www.google.com/search?q=%22sidio+rosa%22+%22hedonismo%22&oq=%22sidio+rosa%22+%22hedonismo%22&gs_lcrp=EgZjaHJvbWUyBggAEEUYOTIHCAEQIRigATIHCAIQIRigATIHCAMQIRigAdIBCDgzMjdqMGo3qAIIsAIB8QXZMtKw9dxN_fEF2TLSsPXcTf0&sourceid=chrome&ie=UTF-8>.
Acesso em: 8.2.2025, às 15h39.
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