segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Felizes para sempre: armadilha inevitável

 

Li recentemente um artigo[1] que me fez pensar e rever um pouco daquilo que já estudei e incorporei ao longo da minha história, isso acerca da felicidade. Considero o artigo muito bem escrito e traz uma mensagem chocante:

– Finais felizes são um veneno cultural.

– “Felizes para sempre” é uma armadilha fatal.

Fui educado em uma família cristã, de uma igreja extremamente conservadora, quase judia, que guarda o sábado como o Dia do Senhor. Nessa criação, nascemos para a vida eterna e plenamente feliz, destinação rompida pelo pecado original de Adão e Eva. O sacrifício de cristo e o seu retorno triunfal, no entanto, trará novamente a felicidade para sempre aos escolhidos, aos justos que guardarem os seus mandamentos. Diversamente, acredito em nada disso.

Ao longo dos meus estudos fiz questão de distinguir o prazer, de Epicuro – o filósofo do prazer -, do prazer do hedonismo (do grego hedone), um substantivo masculino, um antigo sistema filosófico que estabelece o prazer como o objetivo principal de vida.[2] Não sou defensor do hedonismo e, consultando a inteligência artificial do Google, inseri “sidio rosa” “hedonismo”, da sua resposta extraio:

Análise Criminológica/Psicológica: O autor, em suas obras sobre execução criminal, aborda características psicológicas e motivacionais de criminosos, incluindo o hedonismo — entendido como a busca impulsiva pelo prazer imediato e a gratificação emocional — como um fator impulsionador da criminalidade.[3]

Há muitos anos que li que os crimes patrimoniais eram menores na Índia do que no Brasil porque a cultura de estrutura de castas, não permitia ao povo pensar em crescer patrimonialmente por meio de riquezas ilícitas. Isso não se aplicaria ao Brasil, sendo a nossa cultura capitalista fomentadora da prática de tais crimes. Essa visão brasileira encontra apoio na perspectiva hedonista, mas que esbarra em freios morais e até neurológicos, que nos fazem chegar à adaptação nesse novo estágio.

Nesse contexto de que o “felizes para sempre” é uma falácia da chegada, traduzida nos filmes das décadas de 1980 e 1990, nos quais seus finais eram felizes, apresentando a felicidade como destino, quando ela “é um estado transitório governado pelo próprio cérebro”. Por isso, a falácia da chegada, que se baseia na crença de que alcançar um objetivo trará felicidade duradoura, constituiu-se em um veneno cultural.

Termos uma grande vitória trará felicidade momentânea. Porém, logo haverá a adaptação hedônica (esteira hedônica), teoria que afirma que os seres humanos tendem a retornar rapidamente ao seu nível base de felicidade após eventos positivos ou negativos. Assim, a esteira hedônica é a “cilada” ou o “resultado prático” de uma busca desenfreada pelos prazeres materiais.

Pretendo continuar estudando a felicidade e, por enquanto, me contento com a ideia de que a felicidade plena, sem dor, para sempre (hedonismo) nos leva à cilada da adaptação hedônica ou esteira hedônica.



[1] MAINENTI, Fabrício. Segundo psicólogos, pessoas que cresceram nas décadas de 80 e 90 desenvolveram a falácia da chegada devido aos finais felizes: Um professor de Harvard especializado em psicologia positiva acredita que finais felizes são um veneno cultural: Nós nos acostumamos com essa ideia, mas nossos cérebros funcionam de maneira diferente. Terra: Educação, 4.2.2026, às 9h13. Disponível em: <https://www.terra.com.br/noticias/educacao/carreira/segundo-psicologos-pessoas-que-cresceram-nas-decadas-de-80-e-90-desenvolveram-a-falacia-da-chegada-devido-aos-finais-felizes,530793e511668b26bd0ba952d9b903f712g4jk5h.html>. Acesso em: 8.2.2026, às 14h15.

[2] MESQUITA JÚNIOR, Sidio Rosa de. Resenha, com opiniões pessoais, da “Carta Sobre a Felicidade (a Meneceu)”, de Epicuro. Brasília: Assuntos Jurídicos e Filosóficos, 31.12.2017. Disponível em: <https://sidiojunior.blogspot.com/2017/12/>. Acesso em: 8.2.2026, às 15h33.

[3] GOOGLE. Visão geral criada por IA. Disponível em: <https://www.google.com/search?q=%22sidio+rosa%22+%22hedonismo%22&oq=%22sidio+rosa%22+%22hedonismo%22&gs_lcrp=EgZjaHJvbWUyBggAEEUYOTIHCAEQIRigATIHCAIQIRigATIHCAMQIRigAdIBCDgzMjdqMGo3qAIIsAIB8QXZMtKw9dxN_fEF2TLSsPXcTf0&sourceid=chrome&ie=UTF-8>. Acesso em: 8.2.2025, às 15h39.